From Inside Out to Dão DOC

The development of a signature in photography, a unique language that ties everything together within the frame is an extremely difficult exercise – many fail in due course, the majority never tries. In 2014 I’ve published Inside Out, my attempt to create and develop my own signature; I have done so by carefully choosing the subject, one that allows me to be creative in a relatively controlled environment.
Inside Out depicts modern day life inside our homes, trying to create associations between the elements inside the frame, excluding facial expressions in the process.
From 2014 until today I’ve produced a few series where part(s) of this “graphic code” has been used – Inside Out itself has evolved and the most recent images of the series – to be published early 2017 – are less rigid, nevertheless in line with the initial intent.
In Dão DOC, my latest published essay, some of this “language” continues to be used, trimmed and merged with the most common rules of photography. The resulting aesthetics are, from my biased point of view, more mature, more appealing, helping to consolidate my own concept of “graphic code” inside the frame. Although essays like “Falling From the Summit” embrace this approach in a much more vivid fashion; in a way, the subtlety of Dão DOC may be more appealing to some.

First set of images, on top of the page: Dão DOC, below Inside Out.

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As voltas deste início de Outono

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Foi um final de Verão passado à volta dos vinhos do Dão e da preparação da campanha Floresta Negra. Com a produção das imagens para o ensaio Dão DOC – que me ocuparam  um mês, a edição e pós produção de umas centenas de imagens selecionadas a partir de mais de 7000 registos, o trabalho comercial para a Quinta Vinha Paz – que incluiu o registo da história da vindima e vinificação, com especial ênfase na tradicional pisa a pé em lagar tradicional, para produção de stills e filme promocional e o lançamento da campanha Floresta Negra, o tempo tem sido escasso, mesmo muito escasso para escrever alguns artigos para o blogue/redes sociais. Estou em dívida, prometo recompensa.

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Para a Quinta Vinha Paz produzi um dos trabalhos que mais prazer me deu nos últimos meses. Acompanhar a tradicional pisa a pé em lagar tradicional, redescobrir o aroma inimitável de uma adega em tempo de vindima, poder contemplar a cor única das uvas que irão produzir vinhos do Dão de elevadíssima qualidade, foi um privilégio.

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Nas voltas pelas vinhas de diversas quintas do Dão, sempre escondido pela luz sublime da manhã, registei imagens únicas deste ritual que se repete anualmente nesta Região Demarcada. Dão DOC, ensaio em que regresso ao preto e branco e a uma linguagem mais próxima de Inside Out, a vertente social do vinho, o prazer com que se degustam estes néctares únicos do Dão ficaram indelevelmente registados em diversas fotografias da série.

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Portugal é um país produtor de vinho de excelente qualidade e o Dão não é excepção. A diversidade de produtores, quer na dimensão, quer na forma como se relacionam com o  terroir, com a cultura, diferentes vinificações, monovarietais ou não, refletiram-se no ensaio.

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Ainda neste domínio, foi com enorme prazer que conheci o Arquitecto José Perdigão, mentor e proprietário da Quinta do Perdigão, a mais premiada na região. A travel story “Fairytale Winery” é o testemunho do cuidado extremo com que a família Perdigão se dedica à produção de vinho de qualidade excepcional com base em vinha de cultura biológica.

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Há imagens poderosíssimas nesta travel story, e as duas que se publicam são um bom exemplo…

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Por último e sem grandes delongas uma vez que irei continuar a publicar posts exclusivamente dedicados ao Projeto Floresta Negra, depois de alguns serões e noites em que o sono foi relegado para segundo plano, a campanha que pretende alavancar esta ideia tomou forma e o projeto está lançado; primeiro passo através de uma campanha de crowdfunding no PPL, mais novidades se seguirão. O projeto tem o apoio institucional da Associação Nacional de Protecção Civil, da Liga de Bombeiros Portugueses, da Fujifilm e do Público/P3.

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Shortcutz Viseu #80

Ontem assistimos a três curtas de exceção no Carmo 81, edição 80 do Shortcutz Viseu. Pelo meio e quase a brincar, sem me levantar para não incomodar quem assistia, fiz uns retratos informais do que por lá se passou, com a Fujifilm X-E2s e a Fujinon 18mm f2; todas as imagens a 6400 ISO, conversão em ACR.

Floresta Negra – O Movimento

Com base no ensaio Floresta Negra, foi dado hoje o primeiro passo para criar um movimento na sociedade civil que possa contribuir para que a nossa relação com a floresta se transforme, ganhe uma nova dimensão, ajudando a evitar o inferno anual dos incêndios florestais, que desde há quatro décadas dizimam o nosso património natural. O projeto tem o apoio institucional da Autoridade Nacional de Proteção Civil, da Liga dos Bombeiros Portugueses, da Fujifilm e do Público/P3 (media partner).

A campanha prevê a edição de um livro, com a receita a reverter a favor da Liga dos Bombeiros Portugueses. Este livro é o primeiro passo deste projeto, permitindo à população em geral participar ativamente no movimento, contribuindo através de uma campanha de crowdfunding que hoje se inicia, para a publicação do Livro Floresta Negra.

http://ppl.com.pt/pt/prj/floresta-negra

http://www.johngallo.co.uk/black-forest.html

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Visitas Reais com história…

Há relativamente pouco tempo perguntaram-me que tipo de trabalho é que envolve mais protocolo, mais “salamaleque”, cross-checking e controlo…A cobertura de visitas oficiais da família real britânica, sem dúvida. Para além de todo o escrutínio a que somos sujeitos como indivíduos (antes de nos conhecerem e saberem quem somos e o que fazemos), temos que seguir rigoroso protocolo durante toda a visita. O adido de imprensa que acompanha todas as visitas dos membros da família real, para além de guarda-costas e elementos dos serviços secretos britânicos, segue-nos como se fosse a nossa própria sombra, diz-nos quando fotografar, quando não fotografar, que distância manter em relação a Sua Alteza Real em todos os momentos da visita, quem passa primeiro, se eu ou se o membro ou membros da realeza… O adido nunca aparece nas imagens – ao contrário dos guarda-costas – e garante que todas as imagens são recolhidas apenas quando Sua(s) Alteza(s) Real(is) exibe(m) postura e expressão fotogénica q.b..

Nesta visita em particular tudo se complicou um pouco para o adido de Sua Alteza Real, A Duquesa da Cornualha, Camilla, esposa do Príncipe Carlos, futuro Rei de Inglaterra. As reduzidas dimensões do espaço visitado, o número elevado de convidados, sucessivas divisões minúsculas para acomodar convivas, comitiva real, seguranças e funcionários do museu, levou a que a minha proximidade com Camilla fosse muito maior do que habitualmente. O registo obtido é muito mais humano, mais frágil – as rugas, imperfeições e sinais do tempo bem patentes na face de Camilla são visíveis e contam histórias que regra geral não se vêem. A expressão do seu olhar, a forma como conversa com algumas das crianças presentes, o receio com que olha para a velha prensa entra pela objetiva dentro, transformando Camilla num “comum mortal”.

O adido? Sem nunca perder a fleuma britânica, emanaram dos seus profundos olhos azuis as instruções, indicações e demais orientações de sempre. Nada mudou, o seu fato azul imaculadamente engomado conteve a sua frustração, os seus receios, sem que uma ruga se lhe visse no final do dia.

Wide and fun…

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Quem segue o meu trabalho com alguma assiduidade sabe que sou um pouco conservador no que diz respeito à utilização de focais extremas (tele ou grande angular). Embora os resultados imediatos possam parecer espectaculares, temo que a longo prazo as imagens produzidas com este tipo de lente se tornem meros objectos estéticos, sem grande conteúdo ou valorização. Esta é uma das imagens que produzi para a travel story intitulada Dão DOC, a publicar em breve, e que quebra essa “regra”. Registada na Casa de Santar, em Santar, numa das propriedades da Global Wines, retrata o momento em que a máquina que vindima descarrega as uvas para o reboque do trator, que as transportará de imediato para a adega. Nesta propriedade com 103 hectares a maioria da vindima é realizada mecanicamente e este movimento repete-se inúmeras vezes. Pela preponderância das máquinas em detrimento do trabalho manual, pareceu-me lógico enfatizar a dimensão do trator, dando às máquinas o papel principal na imagem e o peso correspondente ao que têm na realização da vindima nesta propriedade.

Fujifilm X-Pro2, Fujinon XF 10-24mm f4 OIS, 10mm (equiv. 15mm), 1/900 f6.4 ISO 250

As demolições na Ria Formosa

hwv021Fossas sépticas na Ilha da Deserta, Março 2015

Em 2014 fui comissionado pelo The Guardian para realizar um ensaio fotográfico sobre as demolições na Ria Formosa. Nunca vivi nas ilhas barreira, não tenho qualquer ligação às ilhas, contudo eu e a Guida Rolo (Chappa) entendemos que era um tema suficientemente sensível, de certa forma trágico até, para que fosse objeto de um trabalho mais profundo.

Não sou parte interessada, posso dizer despudoradamente que o que quer que seja que aconteça nas ilhas não trará nada de diferente para mim ou para os meus – se me limitar à espuma das ondas.

Escrevo de forma completamente independente, como fotógrafo, mas também como cidadão português, preocupado com o que por cá se continua a passar e não posso, porque me predispus a fotografar e a ouvir as histórias de quem lá vive, porque calcorreei as Ilhas de ponta a ponta a pé, porque fui descobrir os cantinhos que só aqueles que lá vivem conhecem, não posso deixar de escrever este texto, agora que as demolições voltaram a estar na ordem do dia.

Este processo arrasta-se há décadas e não tem solução à vista; recorda-me a morte e consequente investigação, comissões parlamentares de inquérito e demais folclore a que assistimos durante anos relativamente à morte de Sá Carneiro e de Adelino Amaro da Costa e cujo resultado foi o que sabemos: zero. Pródigo, o nosso país, em processos longos, dolorosos e que resultam em coisa nenhuma.

Temo, porque todos os sinais apontam no mesmo sentido, que a conclusão deste processo de demolição de algumas casas nas ilhas barreira, tenha o mesmo resultado, isto é, resultado nenhum. Creio, e não estarei enganado certamente, que nada resultará desta vertigem de demolições aleatórias e insensatas a não ser o facto de algumas dezenas de famílias perderem o seu lar, com todas as consequências trágicas daí decorrentes. A esmagadora maioria das famílias mais ameaçadas são as que têm menos posses, menos recursos, que mais dificuldade têm em lidar com os expedientes intermináveis da Polis Ria Formosa. Da documentação que consultei quando escrevi o artigo inicial em 2015 facilmente depreendi que a Polis não olha a meios para atingir fins, errando porque lhe é conveniente, não esclarecendo, não tratando os residentes da ilha como cidadãos de pleno direito, agindo bastas vezes de forma incoerente – típico na maioria deste tipo de organismos em Portugal.

Os planos e projetos disponíveis para consulta no site da Polis Ria Formosa são generalidades e não podem deixar ninguém descansado relativamente ao que realmente se prevê realizar nas ilhas barreira.

Do que observei e aceitando como importantes os argumentos que alicerçam a intervenção da Polis, tudo ou quase tudo contradiz essa argumentação.

Os edifícios em pior estado de conservação (alguns em ruínas) na Ilha da Culatra são os edifícios que pertencem ao Estado português. A lógica de demolição nada tem de ambiental – casas vizinhas são demolidas, deixando no mesmo perímetro edificações existentes. Esta incoerência está bem patente na Ilha de Faro, para quem quiser ver com os seus próprios olhos. Entulho e resto de fundações, canalizações e similares são deixados pela Pólis no local, não sendo devidamente recolhidos – como seria expectável. As habitações existentes no núcleo dos Hangares, que não tem energia elétrica, são autossuficientes – geram a sua própria energia, tratam os seus resíduos e utilizam furos para obter água potável – talvez uma lição ambiental para alguns de nós…

Há locais em que as fossas sépticas, depois de demolidas as habitações, permaneceram – e assim estão há dezenas de anos, nada tendo sido feito pela Pólis para remover esse entulho. Quando a Polis vence uma ação em tribunal, ganhando posse administrativa de uma habitação, remove telhado, portas e janelas, deixando paredes em pé, por vezes durante meses, não agindo com a celeridade esperada para devolver ao estado inicial o respetivo lote. Não valerá a pena continuar, já se percebe o que pelas ilhas se passa.

Não me interessam as questões legais – entendo que as haverá, que muitas habitações são ilegais e concordo, até encorajo, que haja uma intervenção nas ilhas barreira. Uma parte das edificações existentes tem um efeito perverso na paisagem e no ambiente, há muito a fazer para equilibrar o habitat nestas ilhas que são autênticas pérolas da natureza e que a intervenção humana desordenada tem estragado. Contudo, qualquer solução que não integre quem lá vive, que não integre uma comissão independente que possa colocar em cima da balança os interesses legítimos dos moradores e do Estado, que não integre as autarquias e que não integre um plano detalhado e transparente, resultante de aturadas conversações, estudos e análise de opções para o futuro das ilhas, não será uma solução. Será, tal como tem acontecido desde o início desta novela, um conjunto de medidas desconexas cujo resultado ninguém conseguirá antecipar e que, não tenho dúvida, deixará as ilhas barreira em situação muito pior do que aquela em que se encontram neste momento.

http://www.johngallo.co.uk/a-home-with-a-view.html

http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/21173/algarve-destruir-para-dar-lugar-ao-turismo