Visitas Reais com história…

Há relativamente pouco tempo perguntaram-me que tipo de trabalho é que envolve mais protocolo, mais “salamaleque”, cross-checking e controlo…A cobertura de visitas oficiais da família real britânica, sem dúvida. Para além de todo o escrutínio a que somos sujeitos como indivíduos (antes de nos conhecerem e saberem quem somos e o que fazemos), temos que seguir rigoroso protocolo durante toda a visita. O adido de imprensa que acompanha todas as visitas dos membros da família real, para além de guarda-costas e elementos dos serviços secretos britânicos, segue-nos como se fosse a nossa própria sombra, diz-nos quando fotografar, quando não fotografar, que distância manter em relação a Sua Alteza Real em todos os momentos da visita, quem passa primeiro, se eu ou se o membro ou membros da realeza… O adido nunca aparece nas imagens – ao contrário dos guarda-costas – e garante que todas as imagens são recolhidas apenas quando Sua(s) Alteza(s) Real(is) exibe(m) postura e expressão fotogénica q.b..

Nesta visita em particular tudo se complicou um pouco para o adido de Sua Alteza Real, A Duquesa da Cornualha, Camilla, esposa do Príncipe Carlos, futuro Rei de Inglaterra. As reduzidas dimensões do espaço visitado, o número elevado de convidados, sucessivas divisões minúsculas para acomodar convivas, comitiva real, seguranças e funcionários do museu, levou a que a minha proximidade com Camilla fosse muito maior do que habitualmente. O registo obtido é muito mais humano, mais frágil – as rugas, imperfeições e sinais do tempo bem patentes na face de Camilla são visíveis e contam histórias que regra geral não se vêem. A expressão do seu olhar, a forma como conversa com algumas das crianças presentes, o receio com que olha para a velha prensa entra pela objetiva dentro, transformando Camilla num “comum mortal”.

O adido? Sem nunca perder a fleuma britânica, emanaram dos seus profundos olhos azuis as instruções, indicações e demais orientações de sempre. Nada mudou, o seu fato azul imaculadamente engomado conteve a sua frustração, os seus receios, sem que uma ruga se lhe visse no final do dia.

Publicado por John Gallo

I am a social documentary photographer, videographer and writer. I believe we need to focus on people, on human beings; we need to humanize the planet, to change our relationship with Nature and assure next generations a much brighter future. Winner of the 2015 The Guardian/Royal Photographic Society's Joan Wakelin Award. Sou fotógrafo sócio-documental, ensaísta e escritor. Acredito que o nosso foco têm que ser as pessoas; urge humanizar o planeta, alterar a relação que temos tido com a Natureza e garantir que não hipotecamos o futuro dos nossos filhos. Em 2015 o jornal The Guardian (UK) e a Royal Photographic Society distinguiram o meu trabalho atribuindo-me o Joan Wakelin Award.

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