Um calendário (nada) Medíocre

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Dos meus grandes amigos Luís e Ana, publicado pela Medíocre, um calendário com ilustrações fabulosas da Ana Seia de Matos – não vos revelo todos os meses do ano, fiquem com água na boca – este é o calendário para 2017.

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Embalado de forma simples, com extremo bom gosto, este calendário da Medíocre é um belíssimo objeto para colocar em cima de qualquer secretária (também existe uma versão de parede). Nada caro, muito pelo contrário – aproveitem enquanto há. Bem impresso, acabamento perfeito, tudo a servir as ilustrações magníficas da Ana. Não resisti e fiz umas fotografias com a X-Pro2 e a 56mm f1.2. Parabéns, continuem a desenhar e produzir objetos de muito bom gosto, assim vale a mesmo a pena.

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Pode adquirir este calendário enviando um email para bomdia@mediocre.pt

Deliciem-se…

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Vinhos de Inverno – Festival Tinto no Branco, Viseu

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Enorme, com E grande, Enorme celebração do Vinho e da Cultura – magníficos momentos, excepcionalmente organizados pela Câmara Municipal de Viseu – muitos parabéns à equipa de Jorge Sobrado, este evento não fica a dever nada a nenhum outro, em nenhuma parte do globo.

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Prova de vinho com os melhores néctares do Dão, ilustrados com umas quantas fotos de igual nível (perdoem-me a imodéstia – muito obrigado Cláudia Vaz Pinto pelo excelente trabalho de seleção e de produção) e, melhor ainda, conversas sérias, sobretudo a que Almeida Henriques e Rui Moreira trouxeram ao Festival, moderada por Francisco José Viegas.

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Tocante, inebriante e com imenso público – nas palavras de Francisco José Viegas esta foi a melhor apresentação de um livro de receitas em que alguma esteve, “cinco vezes mais público e toda a gente muito bem-disposta, ao invés do que é habitual” – a apresentação do livro “Hoje, Diogo Rocha”, em que o próprio, um dos mais importantes embaixadores do amor à gastronomia de Viseu, se emocionou, falou com pura sinceridade, abriu o seu coração, deixou que a plateia lhe tocasse a alma e falou da amizade como eu já não ouvia ninguém falar desde que eu era miúdo. Parabéns Diogo, desde que entrei na tua cozinha para registar o que tão bem fazem na Mesa de Lemos, que percebi o extraordinário ser humano que és.

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Por entre muitas conversas com amigos que fui reencontrando durante a noite, aqui a fica meia dúzia de fotos que consegui fazer. Parabéns Viseu – este é um evento que só pode orgulhar todos os que vivem na cidade, no concelho, no distrito.

Fotografias: Fujifilm X100T Black.

What can you do with €150 worth of LED Light?

Well, not much you may say. But you can do a lot, yes, indeed you can. I bought a pair of MCOPlus LED 322A video lights from Hi-tech Wonder in Lisbon, with the sole purpose of using them for still photography. At less than €75 each, they were a steal. Obviously, forget mega productions, massive fashion shootings or anything like it. But if you need complementary light, studio lighting for small objects, that extra hand when photographing indoors, this is the kit.

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These two units, alongside a smaller Metz Mecalight LED 480, a pair of Manfrotto Pixi mini tripods, a very, very old Cobra Portapod, a few B+W polarisers and a battery charger all fit inside my old, faithful Lowepro Nova 1 shoulder bag. Being a Fuji X Series mirrorless system user, portability, size and weight are paramount for me, hence the choice.

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Beyond the technicalities, I’m posting a few shots made with this set – mainly with the MCOPlus LED322A: they are the best possible testimony of what you can achieve or expect from these units. As a reminder, I would say that “stage/set lighting design” is personal to the bones, so bear that in mind when observing the photographs that illustrate this review.

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There is a battery tester on the back, next to the potentiometer. On the usability side: six AA batteries, rechargeable the better, or any of these camera batteries: Canon LP-E6; Nikon EN-EL15; Panasonic CGR-D16S; Sony NP-FH70, NP-FM55H or NP-F550. On six AA’s each unit will run for 60 to 120 minutes at full power, a very acceptable amount of time. There is a universal input for an external power supply, handy for studio or location work.

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As with the vast majority of competitors on the market, MCOPlus LED322A is delivered with a pair of diffusers, white or orange for a warmer lighting tone.

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The units are made of industrial-grade plastic (beauty is not of their attributes) and none has overheated so far – keep them away from moisture, take good care of them and I believe they will last and stand the test of time.

As for anything else in photography, knowledge and technique are much more important and far more critical to achieve good results than gear and that applies to lighting as well. For a budget this is a very good option, strongly recommended.

Bottles are extremely difficult to photograph – with two LED322A and a Metz LED480 this was the result.

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Same setup, with the help of a small Fujifilm EF-X20 TTL Auto Flash

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Just two LED322A units lit the scene above and the following sequence was lit using one or two LED322A units.

Below, another studio session where nothing else but one LED322A was used to create the light design used to lit up the set.

Last, but not the least, all photographs below produced with a pair of LED322A’s from MCO.

 

Hi-tech wonder MCOPlus 322A LED video light page here.

Tech specs for MCOPlus 322A LED video light here.

MCOPlus website here.

“O Fotográfico” reviews where these units were used to lit the set:

https://fotograficoweb.wordpress.com/2016/11/29/genesis-bh-34-arca-swiss-head-and-giottos-carbon-fibre-tripod-gt8223/

https://fotograficoweb.wordpress.com/2016/11/28/coordame-mar-flat-wrist-strap/

https://fotograficoweb.wordpress.com/2016/11/17/fujifilm-ef-x500-shoe-mount-flash-review-part-one/

 

 

 

 

 

 

A minha bola de Natal (gigante)

Ontem fui acossado por uma vontade absolutamente inexplicável para fotografar as luzes de Natal na cidade. Em jeito de confissão disse ao Luís Belo que me apetecia apenas e só, para variar, quem sabe, produzir um punhado de fotografias “bonitas” sem qualquer significado, apenas reproduções mais ou menos fiéis da realidade, cheias de cor para a malta nas redes sociais colocar likes até fartar. Nostalgia? Estaria o meu inconsciente a navegar pelos Natais de há 40 anos, em que as luzes de Natal penduradas no pinheiro cortado à socapa no Pinhal de Leiria e trazido para casa meio dentro meio fora da carripana dos velhotes faziam as alegrias de um puto ingénuo, ansioso pelo bacalhau, err.. pelas prendas da noite de consoada? Talvez…

Saltei para a rua armado com 8 lentes, dois tripés, dois flashes, onze baterias e dois corpos, tudo muito arrumadinho dentro do Lowepro, cheio de orgulho por ter voltado a sentir grande entusiasmo para produzir meaningless photography. Em jeito de piada podia dizer que passados uns minutos as costas já não aguentavam, mas não – para alguma coisa me vai servindo o cabedal e o hábito. Vencido o frio, ou melhor, vencido pelo frio, montei a barraca na Praça da República à volta da bola de Natal gigante que por lá parou este Natal. Bem bonita, pensei – ora, cá está o miúdo outra vez…

À volta, dentro, fora deste objecto andava a malta dos telefones espertos a tentar levar para casa um recuerdo empastelado e sensaborão, papás implorando aos putos para não se mexerem mesmo nadinha durante largos minutos – tentando vezes sem conta apanhar a pestinha nítida, e não um borrão galáctico, porém não percebendo que, de todas as vezes que a foto não fica em condições, a responsabilidade não é da criança, mas sim sua: entenda, de uma vez por todas querido pai: um canivete suíço não dá para desmanchar um porco. Depois de algumas dezenas de tentativas lá aparecia um boneco suficientemente  sofrível para ser mostrado como fabulástico quando visionado no écran minúsculo de tal aparelho “esperto”…, perdão produzido por espertalhaços, especialmente aqueles a quem falta um pedaço da maçã e que a vendem como inteira. Havia também uns quantos turistas do género “fui lá para fora aqui mesmo” de compactas na mão, daquelas que já fazem uns bonequitos mais em conta e, claro, a malta das DSLR, pequenas, grandes, médias, com lentes mais ou menos caras e mais ou menos fálicas, quiçá algumas trazidas pelo Pai Natal num desses Natais em que parecemos amiúde miúdos. Até um fotógrafo de profissão lá apanhei, de grande DSLR, capaz de congelar o movimento de uma rajada de G3 (soam como uma) e por momentos pensei que a bola se ia mexer, desandar dali para fora à velocidade da luz, deixando todas as esperanças de uma foto decente nas mãos daquele profissional equipado a rigor – até um assistente para levar o tripé ele levara, sabe-se lá porquê mas à noitinha as fotos tendem a ficar tremidas.

Foi neste preciso momento que voltei à terra, ao planeta Terra, e caí de cabeça, ainda cá tenho o galo – não sei se ficará até à meia-noite do dia de Natal e se cantará, mas a realidade dói à séria. Afinal, o que eu tinha estado a fazer enquanto preparava o tripé, enquanto escolhia aturadamente que lente usar e em qual dos dois corpos (exatamente iguais) pegar, era o habitual exercício de observação – aquilo que sempre faço quando me armo em fotógrafo. Lá estavam os pares de namorados, muito juntinhos, quietinhos, a trabalhar para selfie, a malta mais nova a disparar para todo o lado à procura da selfie mais extraordinária-fantástica-impressionantemente-cool-fixe-a-minha-é-mais-fixe-que-a-tua, os atletas de fim de dia à volta da bola aos saltinhos – até me pediram para lhes tirar uma foto com um dos aparelhos do demo – e as crianças pela mão dos pais, loucos de alegria por poderem andar aos saltos dentro e fora de uma bola de Natal tão gigante que nem sequer cabe na sala, nem na garagem, nem em nenhum outro lugar.

Percebi que ia usar apenas duas lentes, um corpo e um tripé – ou seja, podia ter poupado a mim próprio a triste figura de parecer um novato excitadíssimo com toda a tralha fotográfica que acabara de receber agorinha mesmo vinda do ebay e, claro, poupado as costas que não me doiem mas que me vão doer mais dia, menos dia – isso mesmo, poupança não é aplicável apenas a dinheiro.

E fiz umas quantas fotografias – com enorme prazer, porque são fotografias acerca do objeto, da relação deste objecto estranho com os outros (objetos) que o circundam, para o qual abrem espaço nesta altura do ano, fazendo-lhe a educada vénia e respeitando-o como uma estrela meteórica, cuja ascensão e queda nada mais é do que isso mesmo, meteórica. Os outros, aqui vivendo há mais de um século, observam-no com a sapiência dos velhos, dos velhos sábios, invejando-lhe as cores, o séquito de gente à sua volta, mas sabendo a miséria a que está condenado depois do fatídico Dia de Reis. Para o ano outro virá, ocupando o mesmo lugar, atraindo a mesma gente, iluminando o rosto das crianças, abrindo-lhes o sorriso com a caduca luz do Natal.

Trabalhei à volta desta gigante bola sabendo-lhe o destino, sussurrando ao ouvido das árvores centenárias por ali erguidas faz muito, que era com elas que me importava, são elas as grandes matriarcas deste espaço, iluminadas pela luz plana, desinteressante, discreta dos candeeiros lindíssimos que partilham este espaço assente em nobre calçada, portuguesa, que outra poderia ser, se não essa, a nossa, de orgulho feita por quem sabe e são cada vez menos os que sabem. Quem sabe, se alcançado o estatuto de Património Imaterial da Humidade a Calçada Portuguesa regressa às cidades portuguesas e ao mundo, admirada pelo mesmo povo deslumbrado por uma bola (gigante) e pelas luzes de aniversário do Menino Jesus.

Em cena entraram também as cenas da vida antiga, figuras alegóricas do mundo rural beirão, trazidas à liça pelo Mestre Joaquim Lopes; ali fazem vida desde 13 de Dezembro de 1931 – também elas de olhos postos no gigantismo de uma bola que, por breves instantes,  lhes tolda a vista do Município.

Fotografei de dentro para fora uma alma vazia, mas cheia de luz, todos a querem ver, fotografar; fui descobrindo o Rossio em redor de uma efémera bola de Natal, revelando aqueles que com ela foram interagindo, sem notarem um observador motivado pela estória daquele espaço rearranjado a preceito de Natal. Acabei por contar uma história, tão efémera como a bola que ela própria retrata – na escala das coisas grandes e pacientemente mutáveis não há lugar nem para bolas, nem para Natais.

Da minha vontade de fazer umas quantas fotografias de época, fica a estória de um objeto de beleza apurada, com vida alinhada pelo fim do calendário; fica o registo da sua relação com um espaço que brevemente será devolvido à nobreza de quem o faz viver durante todo o ano.

Feliz Natal!