Era uma vez uma fotografia…

A pergunta frequente “o que é uma boa fotografia” tem, claro, dezenas, centenas ou talvez até milhares de respostas possíveis, todas diferentes, todas “certas”.

Há, contudo, questões centrais que contribuem em boa medida para a percepção de que poderemos estar a olhar para uma boa fotografia:

  • Sujeito. Um bom sujeito é fundamental, muito mais do qualquer outro factor. O que é um bom sujeito? Um recém-nascido, talvez…
  • Ação. A ação que a imagem descreve é crítica. Em bastas ocasiões é pela ação que nos ligamos, quase umbilicalmente, à imagem.
  • Drama. Pode ser um lugar comum, mas a nossa adicção ao drama é quase doentia. Um recém-nascido entubado, em coma induzido, quem sabe às portas da morte, “mexe” connosco.
  • A composição. De infinita opção, quase sempre determinada pelo fotógrafo no momento da captura da imagem. Sem regras, para quem sabe para que servem as regras. Ou com regra, idem. Para dentro da ação, do drama, quase como se dela fizéssemos parte. Claustrofóbica, por vezes.
  • A luz. A mítica luz. Um spot, uma mancha de esperança ou a ténue diferença entre sombra e luz. Raramente nos serve se for plana e quando é, só um grande sujeito a pode destruir.
  • Ponto de fuga. Os olhos precisam de encontrar um escape, uma janela por onde sair, para onde levar o peso do drama, da ação.
  • Fina seleção do ponto de focagem. Transição entre planos com a necessária continuidade. Ou não.

Em coma induzido, um recém-nascido segura a mão da Mãe, agarrando-se a uma vida que lhe parece negada pela condição de que sofre. Morfina. Será que é a Mãe que segura a mão do filho, como se lhe quisesse dar vida, a sua, a que ela já não sente?

Ou não, talvez.

John Gallo, 2011

Para quem ainda acha que o equipamento faz a coisa: Canon EOS 5D, Canon 24mm f1.4L. 1/100, f2.0, ISO 1250.

Publicado por John Gallo

I am a social documentary photographer, videographer and writer. I believe we need to focus on people, on human beings; we need to humanize the planet, to change our relationship with Nature and assure next generations a much brighter future. Winner of the 2015 The Guardian/Royal Photographic Society's Joan Wakelin Award. Sou fotógrafo sócio-documental, ensaísta e escritor. Acredito que o nosso foco têm que ser as pessoas; urge humanizar o planeta, alterar a relação que temos tido com a Natureza e garantir que não hipotecamos o futuro dos nossos filhos. Em 2015 o jornal The Guardian (UK) e a Royal Photographic Society distinguiram o meu trabalho atribuindo-me o Joan Wakelin Award.

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