25 anos a fotografar – Parte III

Foi no Reino Unido que tomei a decisão de voltar a dedicar-me à fotografia, depois de um interregno de alguns anos em que profissionalmente me dediquei a coisa diversa.Redescobri a fotografia, redescobrindo-me nas longas caminhadas pela capital londrina, numa solidão planeada para roubar aos sentidos tudo aquilo que eles nos conseguem dar.

Foram centenas de milhas palmilhadas, profícua descoberta de uma cidade fascinante, em que extremos se tocam, um bastião do neoliberalismo, das liberdades individuais, do respeito pela diferença. Londres será talvez o centro do mundo, a par com Nova Iorque. Londres, que parece nunca acabar, contido pela M25, apertado nesse anel a que os ingleses chamam o maior parque de estacionamento do planeta, faz-nos sentir pequenos, talvez não tanto pela dimensão, mas sim pela magnitude daquilo que nos oferece day in, day out.

Este ensaio sobre o Winter Wonderland em Hyde Pake foi produzido em gélidos dias de um Dezembro londrino, escuro, debaixo de um céu cinza pardo.O Winter Wonderland é uma feira popular de Natal, com mais de 100 diversões, visitada por mais de 14 milhões de pessoas nos primeiros dez anos de existência.

Se forem a Londres entre Dezembro e Janeiro, aproveitem. Mas levem luvas, cachecol e gorro. E divirtam-se.

25 anos a fotografar- Parte II

Nestes 25 anos a minha vida deu umas quantas voltas. Com as voltas e revoltas aprendi a ter mais humildade e a saber agradecer a quem comigo trabalhou, a quem me ajudou a melhorar e a quem confiou em mim e no meu trabalho. Vivo em Viseu, fará seis anos este ano.

Tenho que agradecer aos viseenses e à cidade pela forma como me receberam e, sobretudo, pelo contínuo carinho com que apreciaram o meu trabalho, exposição após exposição, filme após filme.Amigos, muitos, demais para mencionar! Obrigado a todos.

Alguns dos meus mais importantes e bem conseguidos ensaios e filmes-documentário só foram possíveis graças ao Município de Viseu, a quem agradeço na pessoa do seu Presidente, António Almeida Henriques. Agradeço também à antiga vereadora da cultura, Odete Paiva e ao programa Viseu Cultura. Para todos aqueles e aquelas que na Viseu Marca me convidaram/aceitaram desafios para trabalhar e me encorajaram a produzir ensaios e um filme premiado, muito obrigado. Obrigado Bárbara Sobrado.

Uma palavra final para Jorge Sobrado: muito obrigado por tudo. Obrigado por teres tido a atitude que te caracteriza de forte envolvimento, de sábio, alicerce de muita coisa boa que esta cidade descobriu contigo e pela tua mão. Obrigado por te teres esfalfado a trabalhar deixando imensas vezes para trás os teus. Fizeste da Feira de São Mateus aquilo que ela é hoje, motivo de enorme orgulho para todos os viseenses e para Portugal. Colocaste Viseu firmemente no mapa do ponto de vista cultural. Obrigado. Irá sempre haver Viseu antes, e Viseu depois de ti. Deixas-nos um enorme desafio. Honrar o teu legado. Tenho a certeza que não conseguiria ter feito o que fiz por estas bandas sem a tua visão. Boa sorte amigo! Que a vida te sorria, sempre.

Ficam aqui algumas fotografias de um ensaio produzido durante o ART & TUR – International Tourism Film Festival, para o Município de Viseu, o último ensaio fotográfico que publiquei.Neste texto ainda não menciono tantos outros municípios que me deram a oportunidade de com eles criar obra. Lá chegarei.E faltam os meus, não os poderei esquecer.

25 anos a fotografar – Parte I

Completo este ano 25 anos dedicados à fotografia. Não querendo ser juiz em causa própria, espero que o meu trabalho tenha contribuído para dignificar esta forma de expressão artística.

Comecei em 1996 a fotografar as ruas do Porto; anos mais tarde iniciei uma carreira na fotografia de moda, de produto e de publicidade e, já no Reino Unido, dediquei-me à fotografia sócio-documental.

Está previsto o lançamento de um livro financiado através de uma plataforma de crowdfunding alusivo a estes 25 anos (novidades entretanto).

Publico o mais curto ensaio que produzi, apenas 17 fotografias de capas de jornais, entre o dia 1 e 17 de Janeiro de 2015, no Reino Unido. Ninguém antecipava que seria o ano do atentado ao Charlie Hebdo, ocorrido a 7 de Janeiro.

Art&Tur, 2020, Viseu

Aconteceu em Viseu a 13ª edição do Art&Tur – Festival Internacional de Cinema de Turismo. 72 filmes absolutamente incríveis, oriundos dos quatro cantos do planeta, uma mão cheia de conferências muito, muito interessantes e uma organização exemplar são notas a reter. Mais importante, aconteceu em Viseu, cumprindo todas as normas prescritas pela DGS e demonstrou, mais uma vez, que não fechar a cultura é a opção certa, haja coragem. Bravo, pelos bravos que ousaram realizar o festival e bravo, pelos bravos que ousaram frequentá-lo. E houve bravos que vieram de muito longe. Bravo!!

Documentário “Feira de São Mateus – a feirar há 627 anos” premiado por júri internacional

Um júri internacional atribuiu o primeiro prémio na competição nacional de “Melhor Documentário – Música, Arte, Cultura” para a Feira de São Mateus, com o filme “A feirar há 627 anos”, realizado por John Gallo e produzido pela Viseu Marca e por John Gallo.

Documentário na íntegra aqui:https://www.youtube.com/watch?v=eBy8akyknKM&feature=youtu.be

De dentro para fora – Excertos do quotidiano na Cidade Jardim

De dentro para fora – Excertos do quotidiano na Cidade Jardim, ensaio sócio-documental de John Gallo sobre o dia-a-dia dos viseenses na cidade de Viriato.

Financiado pelo programa Viseu Cultura do Município de Viseu, o ensaio tem como objectivo construir uma imagem contemporânea do quotidiano das famílias viseenses, no seio dos seus lares, na sua intimidade.

Mais informação aqui: https://excertoscidadejardim.wordpress.com

Artigo publicado no Público/P3: https://www.publico.pt/2020/07/05/p3/noticia/john-gallo-quer-fotografar-familias-tornaram-viseu-lar-1922985

Era uma vez uma fotografia…

A pergunta frequente “o que é uma boa fotografia” tem, claro, dezenas, centenas ou talvez até milhares de respostas possíveis, todas diferentes, todas “certas”.

Há, contudo, questões centrais que contribuem em boa medida para a percepção de que poderemos estar a olhar para uma boa fotografia:

  • Sujeito. Um bom sujeito é fundamental, muito mais do qualquer outro factor. O que é um bom sujeito? Um recém-nascido, talvez…
  • Ação. A ação que a imagem descreve é crítica. Em bastas ocasiões é pela ação que nos ligamos, quase umbilicalmente, à imagem.
  • Drama. Pode ser um lugar comum, mas a nossa adicção ao drama é quase doentia. Um recém-nascido entubado, em coma induzido, quem sabe às portas da morte, “mexe” connosco.
  • A composição. De infinita opção, quase sempre determinada pelo fotógrafo no momento da captura da imagem. Sem regras, para quem sabe para que servem as regras. Ou com regra, idem. Para dentro da ação, do drama, quase como se dela fizéssemos parte. Claustrofóbica, por vezes.
  • A luz. A mítica luz. Um spot, uma mancha de esperança ou a ténue diferença entre sombra e luz. Raramente nos serve se for plana e quando é, só um grande sujeito a pode destruir.
  • Ponto de fuga. Os olhos precisam de encontrar um escape, uma janela por onde sair, para onde levar o peso do drama, da ação.
  • Fina seleção do ponto de focagem. Transição entre planos com a necessária continuidade. Ou não.

Em coma induzido, um recém-nascido segura a mão da Mãe, agarrando-se a uma vida que lhe parece negada pela condição de que sofre. Morfina. Será que é a Mãe que segura a mão do filho, como se lhe quisesse dar vida, a sua, a que ela já não sente?

Ou não, talvez.

John Gallo, 2011

Para quem ainda acha que o equipamento faz a coisa: Canon EOS 5D, Canon 24mm f1.4L. 1/100, f2.0, ISO 1250.

Cidades desertas

Viseu, Abril de 2020

Ruas desertas, como a minha geração jamais vira – possivelmente poucos seres humanos terão testemunhado este estranho cenário. Domingo de Páscoa, ruas habitualmente cheias de famílias, turistas, o habitual frenesim das compras, do café, dos festivais que animam a cidade, dos passeios de domingo. Gente. 

Ninguém.

Vai ficar tudo bem, dizem-nos, mas porque a vida não é um jogo por agora as cidades estão desertas. 

Vai ficar tudo bem.