Será que o Verão vai chegar?

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No campo tosquiam-se as ovelhas, preparam-se os animais para o calor que se adivinha. Está frouxa esta Primavera, tímida, com altos e baixos, cheia de pólens que nos enchem de rinites, “coceira” que não nos dá descanso.

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Neste país encantado há recantos em que o tempo parece ter parado – pastores tosquiando ovelhas, algumas negras, com a calma de quem nunca teve pressa para ir a lugar algum.

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Em Gouveia, concelho de Alfândega da Fé – no coração de Trás-os-Montes – este bucolismo enfeitiçou-me. Dizem os mais velhos que este país era muito pobre – nem vale a pena duvidar da sua palavra – mas há momentos do passado que, no presente, nos enchem de saudosismo.

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De tesoura em punho se desfaz um casaco, para fazer outro, aliviam-se as ovelhas antes do Verão para que o seu calor nos abrace em pleno Inverno.

Todas as imagens © Município de Alfândega da Fé (Turismo de Portugal). John Gallo/Chappa – Olympus OM-D E-M1 Mark II, Olympus M.Zuiko Digital 25mm f1.2 PRO e 40-150 f2.8 PRO

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O nosso Empire State…

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O nosso “Empire State”… Este pequeno ensaio à volta da torre de 16 andares da Segurança Social de Viseu teve como inspiração um ensaio de Joel Meyerowitz datado de 1978 e cujo tema central é o Empire State Building em Nova Iorque.

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O edifício da Segurança Social de Viseu é um dos ícones da cidade para alguns – faz parte integrante da sua história recente, “mamarracho” logo lixo para outros. Relativamente a este edifício as opiniões apontam sempre em direcções diferentes, é preto ou branco, nunca cinzento. Omnipresente, não deixa ninguém indiferente, nem os Viseenses, nem quem os visita. É, por isso mesmo, um marco irresistível para um ensaio fotográfico.

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Em Viseu, a torre da Segurança Social encontrou o seu espaço numa avenida larga, rasgada a partir do Rossio, que desenvolveria a cidade para norte. Nesta avenida instalaram-se a central de camionagem, bancos, escritórios, instituições, edifícios de habitação, como em qualquer avenida moderna de qualquer cidade.

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A torre de Viseu constituiu-se, assim, como edifício de referência da cidade nova (na sequência do projecto, não realizado, de Fernando Távora para Aveiro, ainda dos anos 50), símbolo da providência do Estado e albergando uma função tão nobre e significativa como a da Sé Episcopal – embora haja políticos da esquerda local que não pensem o mesmo, preferindo “empurrar” a Segurança Social para a periferia…

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“A sede da Caixa de Previdência de Viseu (…) desejava afirmar de modo intencional um contraponto contemporâneo à zona antiga da cidade, tomando como referência (…) modelos internacionais, cosmopolitas, carregados de valores de modernidade, de progresso.

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O Estado assumia assim a sua representação com uma linguagem do presente e uma monumentalidade de novo tipo. (…) Que o arquitecto autor deste projecto (Luís Amoroso Lopes, 1913-1995) tenha sido também o principal responsável pelos trabalhos de recuperação do centro histórico de Viseu pode constituir, à primeira vista, um paradoxo desconcertante.

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No entanto, as marcas de uma sólida cultura arquitectónica e urbana, do conhecimento e respeito pela história, de uma sensibilidade segura, estão aí bem evidentes. No compromisso que se procurava estabelecer entre as tipologias do Movimento Moderno e os espaços urbanos tradicionais – a rua, a praça, o quarteirão.

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No sereno classicismo do volume puro da torre, de geometria rigorosa e estrita, sabiamente acentuado nos seus momentos essenciais: nos dois pisos inferiores, recuados para acentuar a aparente leveza do volume que neles se apoia; no topo, onde a laje de coroamento, marcando uma sombra profunda, parece flutuar sobre o último piso”. (Martins, João Paulo, in Pereira, Nuno Teotónio, et al, “As Sedes dos Serviços Regionais”, Secretaria de Estado da Segurança Social, Lisboa, 1997).

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Em Viseu, definitivamente, a polémica não se percebe:- a torre não está no centro histórico;- a torre é um dos bons exemplos da arquitectura contemporânea da cidade;- a torre situa-se por entre edifícios claramente desqualificados (esses, sim, “grandes aberrações”…) como quase toda a arquitectura recente de Viseu – as fotografias da área urbana envolvente, nos artigos anteriores do PÚBLICO são disso elucidativas;- a torre funciona, tem vida e é necessária;- a torre está enraizada e é uma referência.

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O mais sensato seria, sem dúvida, propor a conclusão do projecto, nunca finalizado, para o espaço envolvente da torre, pelo menos nos seus princípios fundamentais e com um programa cívico actualizado – um quarteirão de forma triangular, edificado ao longo do seu perímetro (que incluía um cinema e um teatro), mas simultaneamente permeável e percorrível em todos os sentidos, através de uma praça interior, utilizável como espaço público.

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As propostas em cima da mesa, de implosão e, ainda mais ridícula, de redução de vários andares não deveriam passar de comentários de café – o que é sintomático do “grau zero” da discussão arquitectónica e urbana que tem acompanhado o desenvolvimento ( ?) recente das cidades médias portuguesas. (1)

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(1) Texto integralmente reproduzido do Jornal Público, RUI LOBO E GONÇALO CANTO MONIZ, Fevereiro de 2001 (https://www.publico.pt/2001/02/26/jornal/a-torre-da-seguranca-social-em-viseu-155136)

 

Todas as fotografias Olympus OM-D E-M1 Mark II, objectivas M.Zuiko PRO 7-14mm f2.8, 17mm F1.2, 25mm f1.2, 45mm f1.2 e 75mm F1.8 Premium e Olympus PEN-F,  objectivas 17, 25 e 45mm f1.8 Premium. ACR e Photoshop to taste.

Joel Meyerowitz “Empire State”: https://www.joelmeyerowitz.com/empire-state/

John Gallo “No Surrender”: http://www.johngallo.co.uk/no-surrender.html

 

 

 

Shortcutz Viseu #97

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E mais uma… Edição #97 do Shortcutz Viseu. Como sempre, valeu bem a pena. Ficam as imagens, de rabo sentado no meio da assistência, como sempre.

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Parabéns ao Carlos, ao Luís ao Museu Nacional Grão Vasco e ao Município de Viseu.

Todas as fotografias Olympus PEN-F black, objectivas M.Zuiko Digital 17mm, 25mm e 45mm f1.8. ISO entre 2500 e 5000.

ACR converted, Photoshop to taste.

What happens at ISO 20000?

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What happens at ISO 20000? Well, pretty much a bit of grain. These photographs were taken with available light – believe me “available” is an overstatement. Two or three 40W lightbulbs, scattered along the stage, musicians moving all over the place. Even at f1.4 things were hard. So cranking up the ISO was basically the only way the get this right.

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For those of us that still remember film, being able to record an event under this sort of circumstances with such detail and with this little amount of noise is a nothing short of a revolution.

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If there is something the digital age has brought to us is the ability to still have your job done even under extremely difficult scenarios. Of course, speed, resolution and the lot also have improved.

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All these photographs were taken at 20000 ISO. I know, you want to me let you know what camera did I use, lens and all that. Rest assured, there are a few cameras (and some of them aren’t full frame) that can do this. But, can you?

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Are you brave enough to crank up the ISO and stop complaining? Try… you will be surprised.

Have a great 2018!

Feliz 2018

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Escolhi esta fotografia de um peregrino, exausto depois de cumprir a sua promessa, junto à Capela das Aparições em Fátima em pleno 13 de Maio, para ilustrar sacrifício, dedicação e fé. Não necessariamente num credo em particular, em nenhum em especial. A Humanidade precisa, desesperadamente, de uma inversão de valores. Temos que deixar de endeusar os bens materiais, de ligar sucesso a dinheiro, a riqueza material. É crítico que a acumulação absurda de riqueza em meia dúzia de mãos termine e que haja mais justiça social, menos desigualdade, maior equilíbrio, através do trabalho e da responsabilização colectiva, valorizando atitudes proactivas, fazendo pleno uso da democracia. Fé, fé na humanidade, acreditar que somos capazes de travar esta espiral de ganância que coloca em perigo a sustentabilidade do planeta. Dedicação a causas comuns, espírito de corpo.

Feliz 2018!

Digital manipulation – What is and what isn’t

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Digital manipulation – what is and what isn’t?

Beyond ethics, what can we really consider as acceptable nowadays?

Before we speak about manipulation let’s not forget pure and plain lies. Many photographers have been caught lying about location, context, subject manipulation on their photographs – beforehand this is about ethics, has nothing to do with digital post processing.

In spite of the natural grey area this issue implicates I believe that to make matters simpler and easier there is a perspective we must consider, as long as we are familiar with the analogue/film process.

Plenty of times I read or engage in conversations where it is affirmed that almost everything one can do with Photoshop or with any other imaging editing software is digital manipulation. Well, it is not. For those that have no idea of what is possible within the analogue realm it is hard to realise that plenty of what we can achieve with Photoshop nowadays was also achievable using film development and/or enlarging techniques during the film era.

Just a glimpse of what was possible with film development: using different chemical solutions, altering dilution ratios, changing temperature of the diluted chemicals, increasing or decreasing development time resulted in changes in the shadow and highlight areas of the negative. Furthermore, the fine silver halide particles “changed” when exposed to different chemical combinations/brands, the output changing accordingly. But, even prior to this step we could expose a film one or two EV’s below or above its nominal sensitivity (ISO) changing dynamic range and therefore the shadow/highlight relationship and rendering. We could compensate for this in the development stage or increase the desired effect changing recommended development times.

Once the negative was ready to be enlarged a whole new frontier opened up: more or less sharpness could be achieved changing the aperture in the enlarger’s lens, cropping, recomposing, correction of converging/diverging lines, enhancing shadow or highlight areas using masks or overexposing certain parts of the image. This was a very long process, trial and error, undo was not possible. I spent hours and hours of my life locked inside the darkroom experimenting, enhancing and fine tuning my images. I have to confess that we’ve gained a lot with the digital process, our life being much easier today. Undo is probably the best command the digital era invented.

Last but not the least, print development was the last frontier. And again, different papers combined with different chemicals, temperatures and timing provided exceptionally different results. Selenium toning was just one of the final touches available, changing a print’s colour and making the image more permanent by bonding selenium particles directly to the metallic silver in the emulsion. There were a few different toners usable to finish the prints, all of them providing dissimilar results. The output of fibre-based or resin coated papers was also substantially distinctive.

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Ansel Adams book trilogy “The Camera”, “The Negative”, “The Print” is mandatory if you want to get to know (and learn) about the extraordinary potential of the analogue process. Ansel Adams was a master, second to none when it comes to exposure, development and printing techniques. “Manipulation” of the original image using analogue processes was absolutely mind blogging.

In my opinion, all that we could do to enhance and improve the original image back in those days was acceptable and therefore, my opinion again, acceptable nowadays within the digital medium. I do not consider digital manipulation everything that one can do to improve, enhance and potentiate the final result, starting from a RAW file (JPEG SOOC already have a considerable amount of manipulation/enhancement). I prefer to tag this process as “digital enhancement”, not manipulation. Jerry Uelsmann’s entire photographic carreer was based upon image manipulation using analogue techniques and his work demonstrates what was possible using analogue techniques to heavily manipulate one, or a set of photographs by creating a new reality, a completely new interpretation of a scene, clearly manipulated.

So before adding “digital” to this conversation I believe we must discern enhancement from manipulation. Putting this openly, Adams’ work is the epitome of enhancement and Uelsmann’s work is the embodiment of manipulation.

Of course, being unaware of the history, complexity and potential of the analogue process doesn’t help. Roots are always important, if not critical, for a better understanding of the present.

If you’re not adding or subtracting objects, subjects or any other items to the image or altering those that were present when the shutter was released I do not think you’ll be manipulating. If you’re using image editing software to crop, reframe, for perspective correction, to enhance shadows or recover highlights, to sharpen, to saturate or desaturate you’ll be enhancing the RAW file (the “negative”) and this is not manipulation.

John Gallo