Perigosa e velocíssima gincana

Um dos momentos mais perigosos que vivi na Feira de São Mateus no ano passado foi este: motocicletas de gás aberto, numa perícia disputada completamente no limite por pilotos brutalmente dotados. Coloquei a minha vida e a vida dos participantes em risco para conseguir estas imagens, mas acho que valeu a pena. Como podem observar nestas fotografias a estonteante velocidade a que a prova foi disputada não deixou ninguém indiferente.

Este ano a mãe de todas as feiras regressa dia 8 de Agosto.

Todas as fotografias © Viseu Marca/Chappa

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Porto.

Foi nestas ruas que me fiz fotógrafo, no início da década de noventa. Quase por aqui não passava gente num domingo – alguns velhotes, muito poucos turistas, os velhos edifícios da baixa gemiam num estertor de morte, fétida, anunciada. Não fotografava nas ruas do Porto há vinte anos – sim, ainda há muito por fazer, mas esta não é a mesma cidade que me ajudou a desenvolver um amor incondicional pela minha profissão. O Porto ferve. Porto, numa pacata tarde de domingo, em 2019. Porto.

Night Errand

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Night Errand. Inspirei-me no poema de Eric Berlin com o mesmo título para produzir este ensaio. Night Errand pode ser a história de alguém “high on ecstasy” deambulando pela cidade à procura de tudo e que acaba por nada conseguir encontrar.

IMG_009Ou porque não, errante, alguém perdidamente apaixonado – amor correspondido ou não, pouco importa – bordejando a loucura, perdendo-se cidade adentro.

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Night Errand é um daqueles momentos universais, razões pouco ou nada importam – perdemo-nos na cidade, somos por ela absorvidos até nos tornarmos parte da sua malha, da sua traição, tragados pela maré de solidão em que ela nos envolve, repetidamente, agora, amanhã, depois, sempre.

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Ou será apenas o impulso consumista – a necessidade permanente de consumir, de ter, de possuir, de morrer na teia de luzes psicadélicas de cores berrantes, apontadas a uma alma atraída para uma morte lenta, escravizada pela cultura neo-liberal?

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Ou será apenas solidão? Daquela que mata, que mata por dentro sem que nunca se veja por fora. Daquela que consome as entranhas da alma, deixando-nos podres, egoístas, rancorosos, secos, incapazes de mergulhar na imensidão do mundo.

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Ou será só uma viagem em que todos os tempos verbais se entrecruzam, em que universos paralelos colidem enquanto a náusea permanece? Náusea que se desfaz devagar, numa teia de fumo envolta em mistérios densos, adensados pela aspereza do tempo. Agastados, já não sabemos bem, mas será apenas uma viagem, disso estamos certos.

Leiam o poema de Eric Berlin – banda sonora? Harlem River, Kevin Morby.

Sem manipulação digital. Todas as imagens © John Gallo/Chappa 2019

 

O Presidente da República escreve-nos novamente

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Na sequência da publicação do segundo volume de Floresta Negra, com o subtítulo “Inferno”, o Presidente da República voltou a endereçar-nos uma pequena missiva. “Inferno” foi integralmente produzido na zona de Pedrogão Grande, depois do grande incêndio que transformou indelevelmente toda a zona centro do pais e que causou mais de 60 vítimas mortais.

Senhor Presidente, bem-haja! Muito obrigado!

Viriato, um herói universal – honrar a nossa história

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Produzir um ensaio histórico é um exercício complexo. A ideia original, toda a produção, o necessário rigor histórico, longos dias no terreno para produzir as imagens… Edição e pós-produção – outro processo longo…

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A Lenda de Viriato, ideia original da Chappa, produzida pela Chappa e pela Espada Lusitana, financiada pelo Município de Viseu e patrocinada pela Olympus é um projecto único, cujo valor intrínseco ultrapassa, muito, a imagética e o conceito estético inerente à produção.

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Viriato, por mérito próprio, deveria ser um herói reconhecido em todo o planeta. Os seus feitos foram únicos, de uma magnitude extraordinária. Este ensaio pretende, com toda a pretensão, contribuir para esse reconhecimento. Mas Viriato, infelizmente, não é caso único.

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Os heróis lusos e portugueses, cujos feitos e conquistas representam passos gigantes na história da Humanidade, são, por nós portugueses, estupidamente ignorados. Idolatramos uns fantoches estrangeiros, muitos apenas heróis no papel – nunca daí saíram – idolatramos outros ainda mais porque a cultura anglo-saxónica é sábia na promoção de tretas e de gente pífia (compare-se Robin Hood a Viriato, qualquer astronauta do programa espacial americano aos navegadores portugueses).

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Felizmente parece a mentalidade estar a mudar, pelo menos em Viseu. Um Município com uma visão extraordinária da cultura e saber locais, ciente que Viriato é um dos ícones da cidade, com clara consciência da importância destes heróis míticos na construção de uma identidade forte, carismática, que invariavelmente atrai turistas, capital, desenvolvimento, saber, ajudando a alavancar a economia de toda uma região, de um país.

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Portugal está na moda. O clima, a gastronomia, a paisagem, a candura de um povo que sabe receber bem, a segurança (Portugal é, neste momento, o quarto país mais seguro do mundo), os bairros típicos, os monumentos, o preço convidativo a que nos vendemos a povos mais ricos, são brutalmente apelativos para todo o planeta.

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Contudo, um fluxo de turistas estável, prolongado no tempo, depende igualmente de outros factores e, de entre estes, uma forte identidade cultural é crítica para atrair recursos neste sector. A floresta de Sherwood no Reino Unido, tornada célebre pela lenda de Robin Hood, atrai cerca de 350000 visitantes/ano; tem um centro de visitas renovado em 2017 – originalmente construído em 1970 – renovação essa orçamentada em 5 milhões de libras… Claro, tudo se pode aí fazer, desde caminhar pela icónica floresta, comprar bugiganga com Hood como tema central, fazer uma refeição, visitar o “Major Oak”, participar no Festival Robin Hood… Enfim, uma lição de marketing… (link no final do texto)

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Imaginem o que podemos fazer em Portugal, apenas com a lenda de Viriato… Honrar a nossa história, venerar os nossos heróis e dar a conhecer os nossos feitos ao mundo é o caminho para tornar Portugal numa referência cultural, histórica e, até, social. Os resultados para a auto-estima da nação e para o incremento da economia por via do aumento das receitas directas e indirectas provenientes do turismo serão muito expressivos.

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Município de Viseu, Viseu Cultura, Olympus, Espada Lusitana, John Gallo, Chappa

Todas as imagens © Município de Viseu

Site UK Floresta de Sherwood: https://www.visitsherwood.co.uk

 

Understanding Prejudice – How It Forms and How to Prevent It

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Prejudice can have a strong influence on how people behave and interact with others, particularly with those who are different from them. Prejudice is a baseless and usually negative attitude toward members of a group. Common features of prejudice include negative feelings, stereotyped beliefs, and a tendency to discriminate against members of the group. While specific definitions of prejudice given by social scientists often differ, most agree that it involves prejudgments that are usually negative about members of a group.

The main disadvantage of Micro Four Thirds is prejudice. Keeping an open mind I challenge you all to read carefully:

1 – Bresson, Capa, later Meyerowitz and other masters of this craft early adopted what was in those days a very small “sensor”: 35mm. By that time “full frame” was, at least 120 roll film. Meyerowitz began photographing in color in 1962 and was an early advocate of the use of color during a time when there was significant resistance to the idea of color photography as serious art…

2 – The enormous advances in digital photography allow MFT to mitigate alleged limitations of the format when compared to FF, much more than 35mm did when it was introduced, compared to 120 film.

3 – No other system provides better image stabilization (7.5 stops).

4 – No other system provides this level of portability. Even Olympus E-M1X weighs less 370 grams than Canon’s flagship 1 DX Mark II. Forget lenses size and weight…

5 – Only MFT delivers 18fps with continuous AF and 60fps with locked focus.

6 – No other system offers this level of performance at this price point, not even close.

7 – Olympus new E-M1X AF system focus down to -6EV.

8 – E-M1X specifications regarding weather, moisture and dust sealing are referential – there is no other camera on the market offering this level of protection against the elements. Have you ever tried to wash yours under the tap?

9 – AF “deep learning” is not available in any other camera on the market today (Sony a6400 path is similar, nonetheless).

10 – Integrated (electronic) ND filters with this level of accuracy, delivering fabulous results were unheard of until today.

11 – RAW Handheld High Resolution and RAW Tripod High Resolution modes are unique features, delivering stunningly detailed pictures.

12 – Panasonic GH5 is one of the best video tools the world has ever seen, unbeatable price/quality/features/results.

13 – The range of available lenses and accessories is huge – enough to satisfy the needs of the most demanding photographer.

14 – Noise levels are on par with many other systems until 12800/16000 ISO. Need more?

15 – Bokeh depends of many factors; moving your ass around the subject, changing lenses, walking further into/further away will deliver the results you need.

16 – Due to the size of the sensor, flange focal distance and thread diameter, MFT delivers pin sharp images across the entire frame. No other system offers this level of sharpness across the frame.

17 – Yes, you can print massive sized outdoors from an MFT file. Outdoors have been around for more than a century and photographs have been used for decades and decades on this medium.

What MFT will not do for you:

1 – It won’t turn you into a great photographer. If you’re photography sucks, it will continue to be bad like hell.

2 – It won’t make you look like the “great white” predator. If that is your scene buy those FF 600mm monsters, big and noisy FF cameras. It will be impossible not to spot you, even if you wish to go unnoticed.

3 – It won’t break the bank. If you wish to spend a fortune go FF instead.

4 – It won’t make you look like a “professional, seasoned and old fashioned photographer”; you will look like a clever person that saves money, weight and effortlessly walks for miles with a backpack full of hi tech gear… Using MFT gear you’ll look like contemporary photographer taking advantage of today’s technology.

5 – If there is something about you that needs to show off  big phallic objects you’ll be in trouble. Go FF.

6 – If you’re not an early adopter forget it. Innovators already bought the system many years ago. You’ll end buying it when everyone has it and uses it. Probably these clever users will be jumping on to the next big thing when you finally settle for MFT.

Final comment:

You need to be able to abstract yourself from your old beliefs and credos to really understand the benefits of MFT. Bresson’s photography was initially coined as anti graphic by the status quo… Get it? Prejudice cannot be part of the equation.

Photography is about photographers, about emotions, art, technique, sense and sensibility, about inspiration, about life, death, tragedy, joy, faith… Photography is about conveying emotions, passing on ideas and ideals. Photography is, essentially, an art form. Sorry, not everyone can be an artist, much less a great one.

When I switched from FF to MFT do you know what my clients said? Nothing. They didn’t spot the difference.

 

Photograph: Octopus, one of Chef André’s delicacies. What a cook he is!

 

 

No Surrender – Celebrating New Year!

_1011367-copiarFrom 2018 to 2019 – people having fun at Município de Viseu, Portugal.

_1011262-copiarIt was cold, but the party went on and on and on… Very special (micro) essay focused on one of the most iconic nights of the year.

_1011815.jpgThis will be part of my “No Surrender” series about Viseu – ongoing now for three years… Paying a tribute to the 40000 souls that celebrated New Year at Campo de Viriato.