Crónicas de viagem

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Milhares de quilómetros, muitos – de norte a sul tenho percorrido o país: clientes, workshops, assignments.

Esta nova série intitulada “Crónicas de Viagem”, tenta retratar de forma simples, coerente, objectiva, os trajectos, localidades…os momentos efémeros de tantas deslocações.

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Portugal é um país absolutamente extraordinário – paisagem, gastronomia, gente, vias de comunicação, tudo sempre iluminado por uma luz que, atrevo-me, parece divina – ou é mesmo divinal…

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Vão ficando os testemunhos, vão-se empilhando ficheiros semanalmente para futura escolha. Se puderem, “vão para fora cá dentro” – ainda que seja em trabalho.

Todas as fotografias Olympus OM-D E-M1 Mark II, objectivas M.Zuiko Pro.

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Peer Gynt – Dia Mundial do Teatro no Município de Viseu

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De Henrik Ibsen, foi levada à cena ontem pelas 2130H no átrio dos Paços do Concelho. Uma delícia as aventuras de Peer…

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Numa sala cheia, improvisada, com enorme simbolismo, aplaudiu-se de pé um elenco que durante duas horas e meia, aproximadamente, interpretou a peça inspirada na obra do dramaturgo norueguês.

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O intervalo foi, literalmente, para o tecto.

Todas as fotografias Olympus OM-D E-M1 Mark II e M.Zuiko PRO 12-40 f.2.8, ISO 2000 a 6400.

Olympus OM-D E-M1 Mark II – Performance excepcional a ISO elevado

Um dos mitos mais frequentes com que me tenho deparado desde que me tornei utilizador Olympus é a alegada performance da OM-D E-M1 Mark II em ISO elevado. Diz-se, lê-se, que este é o Calcanhar de Aquiles do sistema. Nada como testar, em situações reais de trabalho, quais os resultados que o sistema produz quando selecionamos um valor ISO elevado. Os exemplos publicados abrangem o espectro entre os 2500 e os 20000 ISO. O link no final do texto permite efectuar o download de 10 fotografias originais – de que foram extraídos os JPEG publicados – em formato TIFF, 350 dpi/16 bits (120MB/ficheiro).

Disponibiliza-se, igualmente, o ficheiro de configuração de todas as Mark II que utilizamos na Chappa (utilizado nas fotografias que ilustram este texto).

1 . M.Zuiko PRO 45mm f1.2, 1/320 @ f1.6 ISO 3200_3090061-copiar

Para muitos utilizadores de sistemas diversos ISO 3200 já é um valor “muito elevado”. Eu consideraria 3200 um valor médio, talvez médio-alto para os padrões actuais.

2. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/320 @ f2.5 ISO 10000_3100778-copiar

ISO 10000 é um valor elevado e muitos fotógrafos receiam não ser possível utilizar uma imagem produzida a 10000 ISO. Perfeitamente utilizável, conforme se observa.

3. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/1600 @ f2.5 ISO 20000_3090338-copiar

Grão visível, mas numa situação em que não haverá opção, uma imagem realizada a ISO 20000 é ainda utilizável (sem grandes ambições relativamente ao tamanho final se o meio a utilizar for impressão em papel). Há detalhe no cabelo da cantora, bem como noutras partes da imagem (em foco) e embora a gama dinâmica tenha diminuído consideravelmente, ainda é suficientemente extensa para garantir a reprodução da cena com tons agradáveis e muito realistas.

4. M.Zuiko PRO 300mm f4, 1/3200 @ f4 ISO 6400_3110680-copiar

Focal muito longa (600mm equivalente 35mm), movimentos aleatórios e muito rápidos do actor (Virgílio Castelo) obrigam a velocidade de obturação muito elevada para congelar movimento – a ISO 6400 imagem perfeitamente utilizável, com grão “controlado”, que não distrai, não estraga nem compromete.

5. M.Zuiko PRO 300mm f4, 1/160 @ f5 ISO 8000_3110560-copiar

A ISO 8000 os resultados continuam de elevado nível: pouca luz no set, distância focal muito longa, há movimento nas mãos do actor… Velocidade de obturação muito abaixo da lei da reciprocidade – excelente o trabalho do IBIS da Olympus, combinado com a estabilização de imagem da objectiva.

6. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/250 @ f4 ISO 16000_3090335-copiar

A ISO 16000, a Mark II consegue manter gama dinâmica suficiente para reproduzir a cena com verosimilhança e tons muito agradáveis. Ruído visível, mas aceitável para este ISO. Imagem perfeitamente utilizável.

7. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/50 @ f1.8 ISO 8000_3090178-copiar

Um dos problemas mais comuns de muitos sistemas é a falta de detalhe nas imagens registadas com ISO elevado. A redução de ruído produzida pelo processador da câmara acaba por tornar a imagem algo “empastelada”, levando ao desaparecimento de finos detalhes na imagem. A ISO 8000, 1/50 @ f1.8 (abertura máxima desta lente), nada se perdeu. Reparem nos finos pêlos da mão do fotógrafo, fielmente reproduzidos, já fora do centro da lente, numa zona do frame em que objectivas de custo muito superior teriam imensa dificuldade em reproduzir tanto detalhe. Esta imagem demonstra igualmente a vantagem do IBIS – absolutamente indispensável – bem como a precisão de foco do sistema híbrido da Mark II. Ruído?

8. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/1600 @ f2.2 ISO 10000_3100795-copiar

Mais um exemplo notável a ISO 10000. O processador da Mark II consegue eliminar boa parte do ruído preservando detalhe na imagem. A gama dinâmica não permite ir buscar detalhe às mãos do músico, mas este é um trade-off aceitável quando precisamos de “esticar” o ISO. A f2.2 estamos ainda longe da resolução e recorte possíveis de atingir com esta objectiva da gama Premium da Olympus.

9. M.Zuiko PRO 300mm f4, 1/400 @ f4 ISO 2500_3110343-copiar

A ISO 2500 a fotografia produzida pela Mark II é limpa – com detalhe soberbo, ampla gama dinâmica, ainda que as condições de iluminação não sejam as ideais (para fotografia). Precisão de foco e IBIS sem mácula, objectiva a plena abertura.

10. M.Zuiko Premium 12mm f2.0, 1/160 @ f2.5 ISO 4000_3090561-copiar

Mesmo em planos abertos, com grande angular (esta lente 12mm f2.0 pesa 130 gramas), a ISO 4000 a imagem final tem excelente recorte (f2.5), pouco ruído, boa gama dinâmica.

11. M.Zuiko PRO 45mm f1.2, 1/150 @ f2.8 ISO 5000_3090468-copiar

ISO 5000, excelentes resultados. Completamente utilizável.

Todas as imagens ©Chappa/John Gallo e ©Município de Alfândega da Fé (peça de Teatro “O Último dia de Um Condenado, com Virgílio Castelo).

Todas as fotografias com Olympus OM-D E-M1 Mark II, firmware 2.1

Ficheiros RAW (ORF) convertidos em ACR (nitidez, correção de exposição, correção de brancos e negros), Photoshop “a gosto” (níveis, brilho/contraste, equilíbrio de cores).

Link para download ficheiros TIFF:https://1drv.ms/f/s!AmnTXdi-o89xyB46R7QLhhZKXQcW

Link configuração Olympus OM-D E-M1 Mark II, firmware 2.1: https://1drv.ms/f/s!AmnTXdi-o89xyCnWKYbehrzcRV7g

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Último Dia de um Condenado à Morte

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Estreou a 7 de Dezembro no Teatro Armando Cortez, em Lisboa. Paulo Sousa Costa é o encenador de um monólogo de Victor Hugo escrito em 1829, O Último Dia de um Condenado à Morte, obra à época criticada por ser deprimente e na qual o autor elogiou Portugal por ter sido o primeiro país a abolir a pena capital (há 150 anos, em 1867).

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O palco – convertido em corredor da morte – relata os tormentos na jornada (da condenação à execução da sentença) enquanto levanta questões éticas, criticando a sociedade do século XIX.

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Em Alfândega da Fé, a primeira representação fora de Lisboa pela mão da Yellow Star Company, aconteceu no dia 11 de Março.

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É um monólogo absolutamente contagiante, em que Virgílio Castelo nos coloca na pele de um condenado à morte, cujo estado de espírito reflecte o seu previsível destino, a esperança que morre com o personagem, o desespero de um fim anunciado.

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Fica o testemunho, 70 minutos muito intensos a que Virgílio Castelo empresta tudo o que tem, o que resulta numa interpretação deveras brilhante. Vão ver.

 

Todas as fotografias © Município de Alfândega da Fé.

Olympus OM-D E-M1 Mark II; M.Zuiko Pro 40-150mm f2.8, M; M.Zuiko Pro 300mm f4; M.Zuiko Pro 45mm f1.2, M.Zuiko Premium 75mm f1.8

Mirroless is the new black

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Nova serie de workshops com a Olympus – falamos de novas tendências, dos trends comunicacionais actuais, contemplamos o trabalho de fotógrafos brilhantes e inspiradores e pensamos, ou repensamos o nosso papel enquanto artistas. É uma experiência interactiva, verdadeiro debate e troca de impressões.

Para além de Viseu, Tavira e Cacém, até ao final de Abril estaremos em Setúbal, Aveiro, Algés, Régua, Porto, Lisboa e São João da Pesqueira. Fiquem atentos às datas!

Flamenco

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Tem tanto de energia pura como de alma – o flamenco traduz a essência do povo espanhol tão bem como o fado traduz a nossa. Estes momentos, captados num espectáculo memorável em Alfândega da Fé, testemunham isso mesmo.

Palavras para quê?

 

Todas as fotografias ©Município de Alfândega da Fé

Digital manipulation – What is and what isn’t

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Digital manipulation – what is and what isn’t?

Beyond ethics, what can we really consider as acceptable nowadays?

Before we speak about manipulation let’s not forget pure and plain lies. Many photographers have been caught lying about location, context, subject manipulation on their photographs – beforehand this is about ethics, has nothing to do with digital post processing.

In spite of the natural grey area this issue implicates I believe that to make matters simpler and easier there is a perspective we must consider, as long as we are familiar with the analogue/film process.

Plenty of times I read or engage in conversations where it is affirmed that almost everything one can do with Photoshop or with any other imaging editing software is digital manipulation. Well, it is not. For those that have no idea of what is possible within the analogue realm it is hard to realise that plenty of what we can achieve with Photoshop nowadays was also achievable using film development and/or enlarging techniques during the film era.

Just a glimpse of what was possible with film development: using different chemical solutions, altering dilution ratios, changing temperature of the diluted chemicals, increasing or decreasing development time resulted in changes in the shadow and highlight areas of the negative. Furthermore, the fine silver halide particles “changed” when exposed to different chemical combinations/brands, the output changing accordingly. But, even prior to this step we could expose a film one or two EV’s below or above its nominal sensitivity (ISO) changing dynamic range and therefore the shadow/highlight relationship and rendering. We could compensate for this in the development stage or increase the desired effect changing recommended development times.

Once the negative was ready to be enlarged a whole new frontier opened up: more or less sharpness could be achieved changing the aperture in the enlarger’s lens, cropping, recomposing, correction of converging/diverging lines, enhancing shadow or highlight areas using masks or overexposing certain parts of the image. This was a very long process, trial and error, undo was not possible. I spent hours and hours of my life locked inside the darkroom experimenting, enhancing and fine tuning my images. I have to confess that we’ve gained a lot with the digital process, our life being much easier today. Undo is probably the best command the digital era invented.

Last but not the least, print development was the last frontier. And again, different papers combined with different chemicals, temperatures and timing provided exceptionally different results. Selenium toning was just one of the final touches available, changing a print’s colour and making the image more permanent by bonding selenium particles directly to the metallic silver in the emulsion. There were a few different toners usable to finish the prints, all of them providing dissimilar results. The output of fibre-based or resin coated papers was also substantially distinctive.

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Ansel Adams book trilogy “The Camera”, “The Negative”, “The Print” is mandatory if you want to get to know (and learn) about the extraordinary potential of the analogue process. Ansel Adams was a master, second to none when it comes to exposure, development and printing techniques. “Manipulation” of the original image using analogue processes was absolutely mind blogging.

In my opinion, all that we could do to enhance and improve the original image back in those days was acceptable and therefore, my opinion again, acceptable nowadays within the digital medium. I do not consider digital manipulation everything that one can do to improve, enhance and potentiate the final result, starting from a RAW file (JPEG SOOC already have a considerable amount of manipulation/enhancement). I prefer to tag this process as “digital enhancement”, not manipulation. Jerry Uelsmann’s entire photographic carreer was based upon image manipulation using analogue techniques and his work demonstrates what was possible using analogue techniques to heavily manipulate one, or a set of photographs by creating a new reality, a completely new interpretation of a scene, clearly manipulated.

So before adding “digital” to this conversation I believe we must discern enhancement from manipulation. Putting this openly, Adams’ work is the epitome of enhancement and Uelsmann’s work is the embodiment of manipulation.

Of course, being unaware of the history, complexity and potential of the analogue process doesn’t help. Roots are always important, if not critical, for a better understanding of the present.

If you’re not adding or subtracting objects, subjects or any other items to the image or altering those that were present when the shutter was released I do not think you’ll be manipulating. If you’re using image editing software to crop, reframe, for perspective correction, to enhance shadows or recover highlights, to sharpen, to saturate or desaturate you’ll be enhancing the RAW file (the “negative”) and this is not manipulation.

John Gallo