Reflexos de Natal

O Rossio em Viseu, Natal de 2019

Estas são imagens da época. Trabalhadas de um ângulo diferente, reflexos de uma luz efémera que em Janeiro caduca, cai, volta em Dezembro. No Rossio e nas ruas adjacentes da baixa viseense reflexo de alguns momentos de contemplação, espelhados nos objectos com memória da cidade jardim. Feliz Natal, enjoy the season!

Night Errand

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Night Errand. Inspirei-me no poema de Eric Berlin com o mesmo título para produzir este ensaio. Night Errand pode ser a história de alguém “high on ecstasy” deambulando pela cidade à procura de tudo e que acaba por nada conseguir encontrar.

IMG_009Ou porque não, errante, alguém perdidamente apaixonado – amor correspondido ou não, pouco importa – bordejando a loucura, perdendo-se cidade adentro.

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Night Errand é um daqueles momentos universais, razões pouco ou nada importam – perdemo-nos na cidade, somos por ela absorvidos até nos tornarmos parte da sua malha, da sua traição, tragados pela maré de solidão em que ela nos envolve, repetidamente, agora, amanhã, depois, sempre.

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Ou será apenas o impulso consumista – a necessidade permanente de consumir, de ter, de possuir, de morrer na teia de luzes psicadélicas de cores berrantes, apontadas a uma alma atraída para uma morte lenta, escravizada pela cultura neo-liberal?

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Ou será apenas solidão? Daquela que mata, que mata por dentro sem que nunca se veja por fora. Daquela que consome as entranhas da alma, deixando-nos podres, egoístas, rancorosos, secos, incapazes de mergulhar na imensidão do mundo.

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Ou será só uma viagem em que todos os tempos verbais se entrecruzam, em que universos paralelos colidem enquanto a náusea permanece? Náusea que se desfaz devagar, numa teia de fumo envolta em mistérios densos, adensados pela aspereza do tempo. Agastados, já não sabemos bem, mas será apenas uma viagem, disso estamos certos.

Leiam o poema de Eric Berlin – banda sonora? Harlem River, Kevin Morby.

Sem manipulação digital. Todas as imagens © John Gallo/Chappa 2019

 

O nosso Empire State…

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O nosso “Empire State”… Este pequeno ensaio à volta da torre de 16 andares da Segurança Social de Viseu teve como inspiração um ensaio de Joel Meyerowitz datado de 1978 e cujo tema central é o Empire State Building em Nova Iorque.

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O edifício da Segurança Social de Viseu é um dos ícones da cidade para alguns – faz parte integrante da sua história recente, “mamarracho” logo lixo para outros. Relativamente a este edifício as opiniões apontam sempre em direcções diferentes, é preto ou branco, nunca cinzento. Omnipresente, não deixa ninguém indiferente, nem os Viseenses, nem quem os visita. É, por isso mesmo, um marco irresistível para um ensaio fotográfico.

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Em Viseu, a torre da Segurança Social encontrou o seu espaço numa avenida larga, rasgada a partir do Rossio, que desenvolveria a cidade para norte. Nesta avenida instalaram-se a central de camionagem, bancos, escritórios, instituições, edifícios de habitação, como em qualquer avenida moderna de qualquer cidade.

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A torre de Viseu constituiu-se, assim, como edifício de referência da cidade nova (na sequência do projecto, não realizado, de Fernando Távora para Aveiro, ainda dos anos 50), símbolo da providência do Estado e albergando uma função tão nobre e significativa como a da Sé Episcopal – embora haja políticos da esquerda local que não pensem o mesmo, preferindo “empurrar” a Segurança Social para a periferia…

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“A sede da Caixa de Previdência de Viseu (…) desejava afirmar de modo intencional um contraponto contemporâneo à zona antiga da cidade, tomando como referência (…) modelos internacionais, cosmopolitas, carregados de valores de modernidade, de progresso.

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O Estado assumia assim a sua representação com uma linguagem do presente e uma monumentalidade de novo tipo. (…) Que o arquitecto autor deste projecto (Luís Amoroso Lopes, 1913-1995) tenha sido também o principal responsável pelos trabalhos de recuperação do centro histórico de Viseu pode constituir, à primeira vista, um paradoxo desconcertante.

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No entanto, as marcas de uma sólida cultura arquitectónica e urbana, do conhecimento e respeito pela história, de uma sensibilidade segura, estão aí bem evidentes. No compromisso que se procurava estabelecer entre as tipologias do Movimento Moderno e os espaços urbanos tradicionais – a rua, a praça, o quarteirão.

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No sereno classicismo do volume puro da torre, de geometria rigorosa e estrita, sabiamente acentuado nos seus momentos essenciais: nos dois pisos inferiores, recuados para acentuar a aparente leveza do volume que neles se apoia; no topo, onde a laje de coroamento, marcando uma sombra profunda, parece flutuar sobre o último piso”. (Martins, João Paulo, in Pereira, Nuno Teotónio, et al, “As Sedes dos Serviços Regionais”, Secretaria de Estado da Segurança Social, Lisboa, 1997).

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Em Viseu, definitivamente, a polémica não se percebe:- a torre não está no centro histórico;- a torre é um dos bons exemplos da arquitectura contemporânea da cidade;- a torre situa-se por entre edifícios claramente desqualificados (esses, sim, “grandes aberrações”…) como quase toda a arquitectura recente de Viseu – as fotografias da área urbana envolvente, nos artigos anteriores do PÚBLICO são disso elucidativas;- a torre funciona, tem vida e é necessária;- a torre está enraizada e é uma referência.

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O mais sensato seria, sem dúvida, propor a conclusão do projecto, nunca finalizado, para o espaço envolvente da torre, pelo menos nos seus princípios fundamentais e com um programa cívico actualizado – um quarteirão de forma triangular, edificado ao longo do seu perímetro (que incluía um cinema e um teatro), mas simultaneamente permeável e percorrível em todos os sentidos, através de uma praça interior, utilizável como espaço público.

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As propostas em cima da mesa, de implosão e, ainda mais ridícula, de redução de vários andares não deveriam passar de comentários de café – o que é sintomático do “grau zero” da discussão arquitectónica e urbana que tem acompanhado o desenvolvimento ( ?) recente das cidades médias portuguesas. (1)

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(1) Texto integralmente reproduzido do Jornal Público, RUI LOBO E GONÇALO CANTO MONIZ, Fevereiro de 2001 (https://www.publico.pt/2001/02/26/jornal/a-torre-da-seguranca-social-em-viseu-155136)

 

Todas as fotografias Olympus OM-D E-M1 Mark II, objectivas M.Zuiko PRO 7-14mm f2.8, 17mm F1.2, 25mm f1.2, 45mm f1.2 e 75mm F1.8 Premium e Olympus PEN-F,  objectivas 17, 25 e 45mm f1.8 Premium. ACR e Photoshop to taste.

Joel Meyerowitz “Empire State”: https://www.joelmeyerowitz.com/empire-state/

John Gallo “No Surrender”: http://www.johngallo.co.uk/no-surrender.html

 

 

 

Fora da Caixa

Assalto Preview

“Fora da Caixa” – Campanha de sensibilização produzida para a APPACDM de Viseu

Este foi um trabalho diferente, muito diferente. Feito com o coração, sentido na alma, fundo. Esta é uma causa próxima, não podia deixar de ser solidário. Em 14 cenários reais, cidadãos com deficiência contracenam com figurantes “normais”, numa cidade imaginária (ou será no Município de Viseu?), em que a inclusão é absoluta. A ação desenrola-se entre os anos cinquenta e setenta do século passado.
Revelam-se hoje, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, 4 das 14 fotografias produzidas durante o mês de Novembro, em que inclusão foi palavra de ordem.
Nesta cidade de inclusão plena há cidadãos com deficiência em todos os sectores da economia. Alguns são até… fora-da-lei! Nos cenários de hoje deparámo-nos com um assalto a uma dependência do Banco Borges & Irmão em plena luz do dia, um competente par de mecânicos que aterafadamente reparam um Land Rover, dois motards de circunstância, e uma rigorosa e competente Presidente de Câmara.

Cafe Racer Preview

As 14 fotografias integrarão a agenda de 2018 da APPACDM (que todos poderão adquirir) bem como um calendário de mesa com base em madeira (muito, muito bonito) que todos os interssados poderão, igualmente, adquirir, ajudando desta forma a nobre instituição da cidade.

Mecânico Preview

A produção (Chappa e APPACDM de Viseu) envolveu mais de duas dezenas de pessoas e um conjunto de entidades cujo agradecimento público será comunicado muito em breve.

Presidente de Câmara Preview

Fotografia: John Gallo

Merry Xmas – O Natal no Rossio

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E eis que chega novamente o Natal – não há chuva, mas o frio já se faz sentir. O Rossio está bonito, de branco vestido trouxe-nos um castelo encantado. Que este seja um Santo Natal.

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Um par de horas observando o que os viseenses observam, observando-os. Alcança quem não cansa, segundo Aquilino Ribeiro.

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