Porto.

Foi nestas ruas que me fiz fotógrafo, no início da década de noventa. Quase por aqui não passava gente num domingo – alguns velhotes, muito poucos turistas, os velhos edifícios da baixa gemiam num estertor de morte, fétida, anunciada. Não fotografava nas ruas do Porto há vinte anos – sim, ainda há muito por fazer, mas esta não é a mesma cidade que me ajudou a desenvolver um amor incondicional pela minha profissão. O Porto ferve. Porto, numa pacata tarde de domingo, em 2019. Porto.

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Os vitrais…

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Os vitrais são, sem dúvida, uma das mais difíceis tarefas fotográficas. Este projecto, concluído em Janeiro de 2015 no Reino Unido, levou algumas semanas a produzir, entre preparação, recolha e pós-produção.

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Os magníficos vitrais desta igreja no sul de Inglaterra foram produzidos na Alemanha e, durante a Segunda Grande Guerra, desmontados e colocados a salvo dos bombardeamentos da Luftwaffe. São todos excepcionais – de grande beleza e recorte técnico.

29549 fotografias depois desejo-vos, a todos sem exceção, um Natal Inesquecível e, claro, o Melhor do Mundo em 2017

cb014A minha bola de Natal gigante, Viseu 2016

Este foi o número de vezes que pressionei o disparador das Fujifilm até ao dia 20 de Dezembro de 2016, desde o passado dia 1 de Janeiro: 83 vezes por dia, profissionalmente apenas, não conto as fotografias dos miúdos, das férias e demais tretas pessoais em que me possa ter atrevido a fazer uma trivialidade qualquer, gastando uns quantos bytes de armazenamento num dos SD da SanDisk.

tituloFujifilm X-Pro2 versus X-Pro1

Tenho pouca habilidade para escrever textos em jeito de balanço, mas quero deixar uma palavra para todos aqueles que, de uma forma ou de outra, se cruzaram comigo em 2016 e me ajudaram a continuar a crescer, a levar projetos a bom porto, a realizar sonhos, dando a conhecer a realidade como a vejo e como a sinto através da câmara. São muitos para aqui caberem de forma “elegante”, mas todos vocês sabem quem são – muito obrigado a todos. Aos meus amigos não agradeço a amizade, essa não se agradece, retribui-se – amo-vos como apenas se amam os verdadeiros amigos.

HWV045 copyA Home with a View, Março 2016, Ilhas Barreira, Algarve

Foi um ano cheio – a transição da X-Pro1 para a X-Pro2, a adoção de novas lentes da Fujifilm e a estreia do sistema de flashes “à séria” da marca que me tem acompanhado em exclusivo desde 2014 marcaram o ano. Continuo fiel à Lowepro, à Sandisk e à Fujifilm – agradeço publicamente a amizade e a cumplicidade do João Rodrigues Coelho e de todos os seus colegas na Fujifilm Portugal; ao João Doroana e aos seus colegas da hi-techwonder um grande obrigado pela disponibilidade e pela atenção que me souberam e quiseram dar.

bfvt-12Floresta Negra, movimento cívico (fotografado na Serra da Estrela)

Este foi o ano de arranque do Floresta Negra, que conta com o envolvimento de um número substancial e que não pára de crescer de autarquias em Portugal Continental e na Ilha da Madeira, de alguns sponsors de exceção e, claro, com o apoio da ANPC, da Liga dos Bombeiros Portugueses, da Fujfilm e do Jornal Público/P3, tendo o ICNF garantido ao projeto o apoio na elaboração de textos e documentação técnica, desde o início de Dezembro, o que muito nos honra. Sei que a tarefa não é fácil, mas estou motivadíssimo para continuar a lutar por um país com menos área ardida, ano após ano. Novidades em Janeiro…

005ddDão DOC, Região Demarcada do Dão, Setembro/Outubro de 2016

2016 foi também o ano em que recebi o Joan Wakelin Award que me foi a atribuído em 2015 pela Royal Photographic Society e pelo jornal The Guardian. Também este ano o P3/Público considerou Pilgrims – Walking to Fátima um dos melhores ensaios publicados em 2016 – muito obrigado pela distinção e vida longa ao melhor jornal português da atualidade, incluindo todos os suplementos e diferentes meios/suportes.

Lisboa-MourariaLisbon Blues, Lisboa Agosto de 2016

Dão DOC foi exposto na cidade vinhateira – na cidade do Dão, Viseu, e logo no Solar do Vinho do Dão – nada podia fazer mais sentido. A todos os que tornaram a exposição possível, o meu mais profundo agradecimento.

pfd5098Pilgrims, Walking to Fátima

Mas, 2016 foi um ano de trabalho, de prazer renovado – concluído o ensaio sobre as ilhas barreira no Algarve intitulado A Home with a View, Lisbon Blues foi o seguinte, depois Fairytale Winery e Dão DOC; pelo meio iniciei No Surrender, ainda sem data de conclusão prevista. Já neste final de ano estão em produção duas séries que tentarão retratar duas realidades muito diferentes: “Os Lugares do Azeite Transmontano” e “Estes são os dias do ano”. Se no primeiro tento trazer de Trás-os-Montes a alma do azeite que por lá se produz (um dos melhores do mundo), no segundo sintetizam-se as tradições natalícias que correm sérios riscos de extinção, bem como as “novas” peregrinações ao interior de Portugal para a celebração da passagem de ano – a Beira Baixa é o cenário, onde mais poderíamos andar? A Serra da Estrela e as sua corda são irresistíveis nesta altura do ano.

Playing copyNo Surrender, Viseu (em curso)

Para 2017 estão desde já previstas as edições em livro de Floresta Negra, Os Lugares do Azeite Transmontano e Estes são os dias do ano, bem como cerca de uma vintena de exposições em Portugal e três, talvez quatro “lá fora”, com base nas três referidas séries a publicar em livro. Cozinham-se na Chappa mais projetos para 2017, que passam pela produção de workshops, pela realização de mais uma dezena de séries fotográficas (vamos tentar, é ambicioso, sabemos que sim), pela associação com outros fotógrafos em projetos conjuntos e pela promoção de projetos e movimentos sem fins lucrativos. Quem sabe, talvez haja boas surpresas em 2017…

_dsf9810lr-copyOs Lugares do Azeite Transmontano (em curso)

Conhecer outras realidades, micro-cosmos em que gravitam seres humanos que me abrem a porta do seu mundo e se dão a conhecer sem reserva é a melhor recompensa que o meu trabalho me proporciona. Obrigado pela generosidade, se um dia conseguir retribuir fá-lo-ei sem hesitação.

_dsf5039-copyOs Lugares do Azeite Transmontano (em curso)

Por último, uma palavra de sentida e profunda amizade por um dos melhores fotógrafos portugueses de sempre e um dos melhores, senão mesmo o melhor, ainda em atividade: Mestre Homem Cardoso. Com mais de uma centena de livros publicados, em que cada fotografia é uma lição de composição, de interpretação e de domínio técnico absoluto de todas as variáveis que compõem uma fotografia, António Homem Cardoso, merece, na minha opinião pessoal – sei que muitos de vós comungam deste sentimento – o nosso respeito, admiração e sentido de gratidão, por tudo o que tem feito pela fotografia e pelo país, fotografando-o exemplarmente. Meu caro António, keep up the good work, we all love you.

Desejo-vos, a todos sem exceção, um Natal Inesquecível e, claro, o Melhor do Mundo em 2017.

 

 

Royal Photographic Society & The Guardian Award

Foi com grande prazer que recebi o prémio Joan Wakelin, atribuído pela Royal Photographic Society e pelo jornal The Guardian, pelo trabalho “A Home with a View”, no dia 16 de Setembro. Fica o vídeo.
2016 Awards video from RPS – Proud to be one of the recipients. Thank you

As voltas deste início de Outono

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Foi um final de Verão passado à volta dos vinhos do Dão e da preparação da campanha Floresta Negra. Com a produção das imagens para o ensaio Dão DOC – que me ocuparam  um mês, a edição e pós produção de umas centenas de imagens selecionadas a partir de mais de 7000 registos, o trabalho comercial para a Quinta Vinha Paz – que incluiu o registo da história da vindima e vinificação, com especial ênfase na tradicional pisa a pé em lagar tradicional, para produção de stills e filme promocional e o lançamento da campanha Floresta Negra, o tempo tem sido escasso, mesmo muito escasso para escrever alguns artigos para o blogue/redes sociais. Estou em dívida, prometo recompensa.

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Para a Quinta Vinha Paz produzi um dos trabalhos que mais prazer me deu nos últimos meses. Acompanhar a tradicional pisa a pé em lagar tradicional, redescobrir o aroma inimitável de uma adega em tempo de vindima, poder contemplar a cor única das uvas que irão produzir vinhos do Dão de elevadíssima qualidade, foi um privilégio.

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Nas voltas pelas vinhas de diversas quintas do Dão, sempre escondido pela luz sublime da manhã, registei imagens únicas deste ritual que se repete anualmente nesta Região Demarcada. Dão DOC, ensaio em que regresso ao preto e branco e a uma linguagem mais próxima de Inside Out, a vertente social do vinho, o prazer com que se degustam estes néctares únicos do Dão ficaram indelevelmente registados em diversas fotografias da série.

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Portugal é um país produtor de vinho de excelente qualidade e o Dão não é excepção. A diversidade de produtores, quer na dimensão, quer na forma como se relacionam com o  terroir, com a cultura, diferentes vinificações, monovarietais ou não, refletiram-se no ensaio.

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Ainda neste domínio, foi com enorme prazer que conheci o Arquitecto José Perdigão, mentor e proprietário da Quinta do Perdigão, a mais premiada na região. A travel story “Fairytale Winery” é o testemunho do cuidado extremo com que a família Perdigão se dedica à produção de vinho de qualidade excepcional com base em vinha de cultura biológica.

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Há imagens poderosíssimas nesta travel story, e as duas que se publicam são um bom exemplo…

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Por último e sem grandes delongas uma vez que irei continuar a publicar posts exclusivamente dedicados ao Projeto Floresta Negra, depois de alguns serões e noites em que o sono foi relegado para segundo plano, a campanha que pretende alavancar esta ideia tomou forma e o projeto está lançado; primeiro passo através de uma campanha de crowdfunding no PPL, mais novidades se seguirão. O projeto tem o apoio institucional da Associação Nacional de Protecção Civil, da Liga de Bombeiros Portugueses, da Fujifilm e do Público/P3.

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