Será que o Verão vai chegar?

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No campo tosquiam-se as ovelhas, preparam-se os animais para o calor que se adivinha. Está frouxa esta Primavera, tímida, com altos e baixos, cheia de pólens que nos enchem de rinites, “coceira” que não nos dá descanso.

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Neste país encantado há recantos em que o tempo parece ter parado – pastores tosquiando ovelhas, algumas negras, com a calma de quem nunca teve pressa para ir a lugar algum.

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Em Gouveia, concelho de Alfândega da Fé – no coração de Trás-os-Montes – este bucolismo enfeitiçou-me. Dizem os mais velhos que este país era muito pobre – nem vale a pena duvidar da sua palavra – mas há momentos do passado que, no presente, nos enchem de saudosismo.

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De tesoura em punho se desfaz um casaco, para fazer outro, aliviam-se as ovelhas antes do Verão para que o seu calor nos abrace em pleno Inverno.

Todas as imagens © Município de Alfândega da Fé (Turismo de Portugal). John Gallo/Chappa – Olympus OM-D E-M1 Mark II, Olympus M.Zuiko Digital 25mm f1.2 PRO e 40-150 f2.8 PRO

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Os Lugares do Azeite Transmontano em exposição na Feira Nacional de Agricultura 2018

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A edição deste ano da Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo tem como tema central o Olival e o Azeite. A direção da feira endereçou-me o convite para expor “Os Lugares do Azeite Transmontano” como obra ilustrativa do cultivo da azeitona, do fabrico e da cultura do azeite em Portugal. Estarão expostas 18 fotografias deste ensaio em local nobre do recinto.

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Foi com imensa honra e orgulho que aceitei o convite. Passem por lá, de 2 a 10 de Junho.

https://feiranacionalagricultura.pt

 

 

Olympus OM-D E-M1 Mark II – Performance excepcional a ISO elevado

Um dos mitos mais frequentes com que me tenho deparado desde que me tornei utilizador Olympus é a alegada performance da OM-D E-M1 Mark II em ISO elevado. Diz-se, lê-se, que este é o Calcanhar de Aquiles do sistema. Nada como testar, em situações reais de trabalho, quais os resultados que o sistema produz quando selecionamos um valor ISO elevado. Os exemplos publicados abrangem o espectro entre os 2500 e os 20000 ISO. O link no final do texto permite efectuar o download de 10 fotografias originais – de que foram extraídos os JPEG publicados – em formato TIFF, 350 dpi/16 bits (120MB/ficheiro).

Disponibiliza-se, igualmente, o ficheiro de configuração de todas as Mark II que utilizamos na Chappa (utilizado nas fotografias que ilustram este texto).

1 . M.Zuiko PRO 45mm f1.2, 1/320 @ f1.6 ISO 3200_3090061-copiar

Para muitos utilizadores de sistemas diversos ISO 3200 já é um valor “muito elevado”. Eu consideraria 3200 um valor médio, talvez médio-alto para os padrões actuais.

2. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/320 @ f2.5 ISO 10000_3100778-copiar

ISO 10000 é um valor elevado e muitos fotógrafos receiam não ser possível utilizar uma imagem produzida a 10000 ISO. Perfeitamente utilizável, conforme se observa.

3. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/1600 @ f2.5 ISO 20000_3090338-copiar

Grão visível, mas numa situação em que não haverá opção, uma imagem realizada a ISO 20000 é ainda utilizável (sem grandes ambições relativamente ao tamanho final se o meio a utilizar for impressão em papel). Há detalhe no cabelo da cantora, bem como noutras partes da imagem (em foco) e embora a gama dinâmica tenha diminuído consideravelmente, ainda é suficientemente extensa para garantir a reprodução da cena com tons agradáveis e muito realistas.

4. M.Zuiko PRO 300mm f4, 1/3200 @ f4 ISO 6400_3110680-copiar

Focal muito longa (600mm equivalente 35mm), movimentos aleatórios e muito rápidos do actor (Virgílio Castelo) obrigam a velocidade de obturação muito elevada para congelar movimento – a ISO 6400 imagem perfeitamente utilizável, com grão “controlado”, que não distrai, não estraga nem compromete.

5. M.Zuiko PRO 300mm f4, 1/160 @ f5 ISO 8000_3110560-copiar

A ISO 8000 os resultados continuam de elevado nível: pouca luz no set, distância focal muito longa, há movimento nas mãos do actor… Velocidade de obturação muito abaixo da lei da reciprocidade – excelente o trabalho do IBIS da Olympus, combinado com a estabilização de imagem da objectiva.

6. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/250 @ f4 ISO 16000_3090335-copiar

A ISO 16000, a Mark II consegue manter gama dinâmica suficiente para reproduzir a cena com verosimilhança e tons muito agradáveis. Ruído visível, mas aceitável para este ISO. Imagem perfeitamente utilizável.

7. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/50 @ f1.8 ISO 8000_3090178-copiar

Um dos problemas mais comuns de muitos sistemas é a falta de detalhe nas imagens registadas com ISO elevado. A redução de ruído produzida pelo processador da câmara acaba por tornar a imagem algo “empastelada”, levando ao desaparecimento de finos detalhes na imagem. A ISO 8000, 1/50 @ f1.8 (abertura máxima desta lente), nada se perdeu. Reparem nos finos pêlos da mão do fotógrafo, fielmente reproduzidos, já fora do centro da lente, numa zona do frame em que objectivas de custo muito superior teriam imensa dificuldade em reproduzir tanto detalhe. Esta imagem demonstra igualmente a vantagem do IBIS – absolutamente indispensável – bem como a precisão de foco do sistema híbrido da Mark II. Ruído?

8. M.Zuiko Premium 75mm f1.8, 1/1600 @ f2.2 ISO 10000_3100795-copiar

Mais um exemplo notável a ISO 10000. O processador da Mark II consegue eliminar boa parte do ruído preservando detalhe na imagem. A gama dinâmica não permite ir buscar detalhe às mãos do músico, mas este é um trade-off aceitável quando precisamos de “esticar” o ISO. A f2.2 estamos ainda longe da resolução e recorte possíveis de atingir com esta objectiva da gama Premium da Olympus.

9. M.Zuiko PRO 300mm f4, 1/400 @ f4 ISO 2500_3110343-copiar

A ISO 2500 a fotografia produzida pela Mark II é limpa – com detalhe soberbo, ampla gama dinâmica, ainda que as condições de iluminação não sejam as ideais (para fotografia). Precisão de foco e IBIS sem mácula, objectiva a plena abertura.

10. M.Zuiko Premium 12mm f2.0, 1/160 @ f2.5 ISO 4000_3090561-copiar

Mesmo em planos abertos, com grande angular (esta lente 12mm f2.0 pesa 130 gramas), a ISO 4000 a imagem final tem excelente recorte (f2.5), pouco ruído, boa gama dinâmica.

11. M.Zuiko PRO 45mm f1.2, 1/150 @ f2.8 ISO 5000_3090468-copiar

ISO 5000, excelentes resultados. Completamente utilizável.

Todas as imagens ©Chappa/John Gallo e ©Município de Alfândega da Fé (peça de Teatro “O Último dia de Um Condenado, com Virgílio Castelo).

Todas as fotografias com Olympus OM-D E-M1 Mark II, firmware 2.1

Ficheiros RAW (ORF) convertidos em ACR (nitidez, correção de exposição, correção de brancos e negros), Photoshop “a gosto” (níveis, brilho/contraste, equilíbrio de cores).

Link para download ficheiros TIFF:https://1drv.ms/f/s!AmnTXdi-o89xyB46R7QLhhZKXQcW

Link configuração Olympus OM-D E-M1 Mark II, firmware 2.1: https://1drv.ms/f/s!AmnTXdi-o89xyCnWKYbehrzcRV7g

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

L’Avalot – Teatro de Rua – AF, gama dinâmica e baixo ruído a ISO elevado.

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Há circunstâncias extraordinariamente difíceis para equipamento e fotógrafo. Quando se é amador (perdoem-me o abuso, nada tem que ver com o mérito de cada um) e “corre mal”, perdem-se imagens que tanto gostaríamos de ter registado com sucesso. Quem da fotografia faz profissão não pode falhar – o trabalho tem que ser entregue, com toda a qualidade exigível, no prazo acordado.

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Uma das tarefas mais difíceis com que me deparei foi o registo da prestação da companhia de teatro L’Avalot (Barcelona), teatro de rua, itinerante, com grandes efeitos pirotécnicos… à noite. Muito pouca luz (ISO elevado), movimentos erráticos (AF), enormes diferenças entre luz e sombra (gama dinâmica), composição difícil (público a correr para acompanhar o “desfile” pelas ruas, de telemóvel em punho), “maquinetas” e actores sempre a correr de forma imprevisível. O pesadelo perfeito.

São estes desafios que fazem, bastas vezes, a diferença entre o amador e/ou o fotógrafo menos treinado e (desculpem a imodéstia) o “seasoned photographer”. O conjunto de imagens produzido (publica-se pequena amostra) atesta igualmente o “state-of-the-art” da OM-D E-M1 Mark II da Olympus, quer ao nível do AF, quer da gama dinâmica, quer do baixo ruído a ISO elevado.

Todas as imagens: Olympus OM-D E-M1 Mark II, objectivas M. Zuiko Digital 12mm f2.0, 75mm f1.8, 40-150mm f2.8 PRO (ISO entre 1600 e 3200). Todas as fotografias em modo AF-C ou AF-TR.

ACR, Photoshop to taste. Sem manipulação digital.

 

 

 

ISO 12800? Kodak T-Max P3200…

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ISO 12800? Que saudade dos tempos em que o Kodak T-Max P3200 era o epítome de sensibilidade elevada em fotografia (a preto e branco, que a cores nada de tão extremo existia).

O maestro do Projecto Bios, uma parceria entre o Museu do Douro e a Fundação EDP, num dos ensaios em Alfândega da Fé, que antecederam o espectáculo memorável de 7 de Outubro.

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ISO 16000? O espectáculo começa com todos os músicos dispersos pela plateia, apenas iluminados pelo LCD dos seus telemóveis.

Ruído? Algum… Mas controlado – música para ser mais objectivo.

Para os geeks da técnica, foto do maestro: Nikon D750, Sigma ART 135mm F1.8, 1/250s @ f1.8, ISO 12800, medição pontual.

Foto dos jovens músicos: Nikon D750, Nikon AF-S Nikkor 85mm f1.4G, 1/160s @ f1.4, ISO 16000, medição pontual.

Câmara segura à mão, em ambas… sem flash.

RAW’s trabalhados em ACR/Photoshop a gosto.

29549 fotografias depois desejo-vos, a todos sem exceção, um Natal Inesquecível e, claro, o Melhor do Mundo em 2017

cb014A minha bola de Natal gigante, Viseu 2016

Este foi o número de vezes que pressionei o disparador das Fujifilm até ao dia 20 de Dezembro de 2016, desde o passado dia 1 de Janeiro: 83 vezes por dia, profissionalmente apenas, não conto as fotografias dos miúdos, das férias e demais tretas pessoais em que me possa ter atrevido a fazer uma trivialidade qualquer, gastando uns quantos bytes de armazenamento num dos SD da SanDisk.

tituloFujifilm X-Pro2 versus X-Pro1

Tenho pouca habilidade para escrever textos em jeito de balanço, mas quero deixar uma palavra para todos aqueles que, de uma forma ou de outra, se cruzaram comigo em 2016 e me ajudaram a continuar a crescer, a levar projetos a bom porto, a realizar sonhos, dando a conhecer a realidade como a vejo e como a sinto através da câmara. São muitos para aqui caberem de forma “elegante”, mas todos vocês sabem quem são – muito obrigado a todos. Aos meus amigos não agradeço a amizade, essa não se agradece, retribui-se – amo-vos como apenas se amam os verdadeiros amigos.

HWV045 copyA Home with a View, Março 2016, Ilhas Barreira, Algarve

Foi um ano cheio – a transição da X-Pro1 para a X-Pro2, a adoção de novas lentes da Fujifilm e a estreia do sistema de flashes “à séria” da marca que me tem acompanhado em exclusivo desde 2014 marcaram o ano. Continuo fiel à Lowepro, à Sandisk e à Fujifilm – agradeço publicamente a amizade e a cumplicidade do João Rodrigues Coelho e de todos os seus colegas na Fujifilm Portugal; ao João Doroana e aos seus colegas da hi-techwonder um grande obrigado pela disponibilidade e pela atenção que me souberam e quiseram dar.

bfvt-12Floresta Negra, movimento cívico (fotografado na Serra da Estrela)

Este foi o ano de arranque do Floresta Negra, que conta com o envolvimento de um número substancial e que não pára de crescer de autarquias em Portugal Continental e na Ilha da Madeira, de alguns sponsors de exceção e, claro, com o apoio da ANPC, da Liga dos Bombeiros Portugueses, da Fujfilm e do Jornal Público/P3, tendo o ICNF garantido ao projeto o apoio na elaboração de textos e documentação técnica, desde o início de Dezembro, o que muito nos honra. Sei que a tarefa não é fácil, mas estou motivadíssimo para continuar a lutar por um país com menos área ardida, ano após ano. Novidades em Janeiro…

005ddDão DOC, Região Demarcada do Dão, Setembro/Outubro de 2016

2016 foi também o ano em que recebi o Joan Wakelin Award que me foi a atribuído em 2015 pela Royal Photographic Society e pelo jornal The Guardian. Também este ano o P3/Público considerou Pilgrims – Walking to Fátima um dos melhores ensaios publicados em 2016 – muito obrigado pela distinção e vida longa ao melhor jornal português da atualidade, incluindo todos os suplementos e diferentes meios/suportes.

Lisboa-MourariaLisbon Blues, Lisboa Agosto de 2016

Dão DOC foi exposto na cidade vinhateira – na cidade do Dão, Viseu, e logo no Solar do Vinho do Dão – nada podia fazer mais sentido. A todos os que tornaram a exposição possível, o meu mais profundo agradecimento.

pfd5098Pilgrims, Walking to Fátima

Mas, 2016 foi um ano de trabalho, de prazer renovado – concluído o ensaio sobre as ilhas barreira no Algarve intitulado A Home with a View, Lisbon Blues foi o seguinte, depois Fairytale Winery e Dão DOC; pelo meio iniciei No Surrender, ainda sem data de conclusão prevista. Já neste final de ano estão em produção duas séries que tentarão retratar duas realidades muito diferentes: “Os Lugares do Azeite Transmontano” e “Estes são os dias do ano”. Se no primeiro tento trazer de Trás-os-Montes a alma do azeite que por lá se produz (um dos melhores do mundo), no segundo sintetizam-se as tradições natalícias que correm sérios riscos de extinção, bem como as “novas” peregrinações ao interior de Portugal para a celebração da passagem de ano – a Beira Baixa é o cenário, onde mais poderíamos andar? A Serra da Estrela e as sua corda são irresistíveis nesta altura do ano.

Playing copyNo Surrender, Viseu (em curso)

Para 2017 estão desde já previstas as edições em livro de Floresta Negra, Os Lugares do Azeite Transmontano e Estes são os dias do ano, bem como cerca de uma vintena de exposições em Portugal e três, talvez quatro “lá fora”, com base nas três referidas séries a publicar em livro. Cozinham-se na Chappa mais projetos para 2017, que passam pela produção de workshops, pela realização de mais uma dezena de séries fotográficas (vamos tentar, é ambicioso, sabemos que sim), pela associação com outros fotógrafos em projetos conjuntos e pela promoção de projetos e movimentos sem fins lucrativos. Quem sabe, talvez haja boas surpresas em 2017…

_dsf9810lr-copyOs Lugares do Azeite Transmontano (em curso)

Conhecer outras realidades, micro-cosmos em que gravitam seres humanos que me abrem a porta do seu mundo e se dão a conhecer sem reserva é a melhor recompensa que o meu trabalho me proporciona. Obrigado pela generosidade, se um dia conseguir retribuir fá-lo-ei sem hesitação.

_dsf5039-copyOs Lugares do Azeite Transmontano (em curso)

Por último, uma palavra de sentida e profunda amizade por um dos melhores fotógrafos portugueses de sempre e um dos melhores, senão mesmo o melhor, ainda em atividade: Mestre Homem Cardoso. Com mais de uma centena de livros publicados, em que cada fotografia é uma lição de composição, de interpretação e de domínio técnico absoluto de todas as variáveis que compõem uma fotografia, António Homem Cardoso, merece, na minha opinião pessoal – sei que muitos de vós comungam deste sentimento – o nosso respeito, admiração e sentido de gratidão, por tudo o que tem feito pela fotografia e pelo país, fotografando-o exemplarmente. Meu caro António, keep up the good work, we all love you.

Desejo-vos, a todos sem exceção, um Natal Inesquecível e, claro, o Melhor do Mundo em 2017.